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15 derivados em marisco

Maçunim foi contaminado por derramamento de petróleo no Litoral Sul de Alagoas

No auge da crise ambiental, em dezembro de 2019, traços petróleo contaminaram o marisco

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A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) divulgou hoje (5) o laudo da Força-tarefa de Monitoramento do Óleo no Litoral Alagoano, sobre impactos dos poluentes no pescado local e os resultados da quarta análise da água realizada pelo grupo. O laudo atesta que foram encontrados traços de contaminação por 15 produtos do petróleo encontrados na carne de espécimes do maçunim, coletados em dezembro de 2019, em Piaçabuçu, Feliz Deserto, no Litoral Sul Alagoano. Mas não conclui se o marisco está ou não impróprio para consumo, atualmente.

Já os exemplares dos peixes Sargo (Archosargus probatocephalus) e Carapeba (Eugerres brasilianus) coletados no auge daquela crise ambiental, em Japaratinga, Ipioca e Coruripe não apresentaram resquícios de óleo ou metais pesados.

O acometimento dos bivalves, como ostras e maçunins, já era esperado pelos pesquisadores, uma vez que esses organismos são filtradores do ambiente. Mas o integrante da força-tarefa e coordenador do Laboratório de Aquicultura e Análise de Água (Laqua), Emerson Soares, pondera que os resultados refletem a realidade da contaminação naquele momento, o que não significa que os pescados ainda estejam impróprios para o consumo humano.

“Essas são amostras pontuais, que foram coletadas no auge do problema, em regiões muito afetadas, em locais onde era possível ver, a olho nu, que havia grande contaminação na areia, com alta mortandade de bivalves.  Não dá para generalizar que, no momento presente, estão todos contaminados, continuaremos com o monitoramento”, explicou o pesquisador.

O estudo foi resultado de uma parceria entre pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).

Os exemplares de bivalves e das duas espécies de peixes foram coletados porque os animais são consumidos rotineiramente pela população logal. E a espécie carapeba foi escolhida por ser utilizado como um bioindicador de impacto por ser um organismo capaz de indicar alterações ambientais precocemente.

Ainda de acordo com o laudo, houve melhora na qualidade das amostras de água. Para os pesquisadores, o resultado é um reflexo da redução da quantidade de fragmentos sólidos de óleo na costa. Os achados indicam, ainda, que contaminação da água não é decorrente apenas do vazamento de óleo, mas também de outros poluentes, gerados a partir da destinação incorreta de esgoto e de agrotóxicos, por exemplo.

Conchas de maçunim e um siri com óleo no Pontal do Peba, em Piaçabuçu (AL). Foto: Cláudio Sampaio/UFAL Penedo/Arquivo

Monitoramento continua

A equipe de pesquisadores continuará realizando avaliações e emitindo laudos técnicos pelos próximos dois anos, a cada dois meses. A proposta é de monitorar dez praias, sendo cinco no litoral norte e outras cinco, no sul.

“O problema foi extremamente grave e, portanto, exige uma avaliação constante para atestar a melhoria nas condições e a eficácia das medidas de biorremediação”, afirmou Emerson Soares, que é doutor em ciências aquáticas.

Desde outubro de 2019, os pesquisadores vêm tentando determinar não apenas a origem e composição do óleo, mas também que destino dar ao material contaminado, os impactos no ecossistema e na economia do estado, além de formas eficazes de realizar a biorremediação dos danos.

Até o momento, além da coleta de água, areia e espécimes animais, foram realizados seis mergulhos para detectar a presença de poluentes abaixo da superfície marinha. A partir das amostras, os pesquisadores podem avaliar parâmetros físico-químicos, a presença de metais pesados e de ácidos graxos, para confirmar a contaminação das regiões afetadas.

“Chegamos a esses resultados e continuaremos a monitorar a situação, a propor soluções. Nós tínhamos certa estrutura e toda a capacidade intelectual para fazer a leitura dos dados, que é o que eu considero o mais importante”, avaliou Marília Goulart, coordenadora do projeto de monitoramento do óleo, financiado pela Fapeal.

O próximo passo é a busca de alternativas  em torno da da biorremediação das áreas e da destinação ao material recolhido. “Estamos estudando a melhor forma de uso. Atualmente, os resíduos estão ocupando uma área do aterro sanitário que não foi destinada para isso, apesar de ser um único aterro qualificado para esse fim. A ideia é dar um uso mais nobre para o material”, finalizou Sandra Helena Vieira, pesquisadora do Centro de Tecnologia (Ctec) e integrante da força-tarefa. (Com informações da Ascom da Ufal)