Poder em foco

Eleições no PRTB miram legado de Fidelix e recuperação financeira

Grupo investigado por fraudar documentos para forçar a saída de Aldinéa Fidelix está no páreo

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Aldinéa e Levy Fidelix. (Foto: divulgação)

O PRTB, partido que levou Hamilton Mourão ao posto de vice-presidente da República, passará por eleições para a mesa diretora nesta sexta-feira (23). O pleito acontece após uma série de imbróglios e polêmicas envolvendo a sucessão de Levy Fidelix, fundador do partido, falecido em 2021.

Após deixar a gestão em virtude de processo agora considerado ‘irregular’ e ‘fraudulento’, o grupo de Aldinéa Fidelix, que recebeu de Levy a sucessão do comando do PRTB, reclamou à Justiça a condução deixada nas mãos de Júlio Fidelix. Aldinéa obteve da Procuradoria Geral Eleitoral (PGE), parecer favorável ao retorno da normalidade da direção do partido, que está, segundo a PGE, “inegavelmente na dependência da realização de convenção para a escolha dos dirigentes maiores da agremiação. A dissolução do Diretório deve ser seguida, por isso, de imediata convocação, sob direção legítima, de convenção para a escolha dos novos dirigentes”. A recomendação da PGE foi acatada pelo presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

Sob a investigação de fraude e apresentação de documentos falsos à Justiça Eleitoral, a diretoria posteriormente conduzida por Júlio Fidelix, irmão de Levy, foi afastada e agora, a esposa do fundador, Aldinéa Fidelix, retorna ao protagonismo, como nome favorito para ‘re’assumir a Executiva.

“Queremos continuar com o legado deixado pelo presidente Fidelix, formar novos quadros e retomar com o protagonismo na política brasileira, a exemplo do que ocorreu com general Mourão, quando integrou chapa com o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou Aldinéa Fidelix ao Diário do Poder.

Ela avalia que o PRTB nunca foi um partido rico, mas após a série de eventos que colocou o partido longe da direção de Aldinéa, primeira sucessora de Levi Fidelix, a sigla sofre com endividamento e má gestão financeira.

A disputa se acirra entre as chapas Ordem e Progresso, liderada pela esposa de Fidelix, e ‘Renascer’, do grupo ligado a Júlio Fidelix, tendo como ‘cabeça’ o candidato Marciel Rocha.

Em declaração ao Diário do Poder, Aldinéa mostrou indignação com o fato de um grupo investigado pela Polícia Federal por fraude e falsificação de documentos estar na disputa. “Por incrível que pareça uma das chapas é composta pelos fraudadores”, ironizou.

A candidata a presidente afirmou ainda que a Justiça tenta localizar membros do grupo de Júlio e Marciel para coletar assinaturas e concluir investigações sobre supostas incongruências nos documentos e assinaturas, protocolos utilizados para interromper a ‘sucessão natural’ de Aldinéa e retirá-la da presidência.

Procurado pela redação, o atual opositor de Aldinéa, Marciel, se manifestou, por meio de sua assessoria jurídica e afirmou que não pesa contra ele qualquer acusação. O advogado Paulo Roseno, que representa Marciel, encaminhou ao DP documento contendo ação anulatória das acusações de fraudes contra ele e Júllio Fidelix. A defesa ainda alega que não há nenhuma relação entre a gestão de Júlio e o impasse sobre as contas dos partido.

Com adesão mais tímida entre os filiados, a chapa Renovação e Transparência é alvo de denúncia feita ao interventor do partido nomeado pelo TSE, Luciano Fuck, por compra de votos. O grupo também não respondeu à redação.

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