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Depósito a céu aberto

Lixão da Estrutural fecha após 60 anos em funcionamento

Mazelas e 40 milhões de toneladas de lixo permanecem

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O lixão da Estrutural deixa de receber, a partir deste sábado (20), os resíduos produzidos no Distrito Federal, após 60 anos em funcionamento. O depósito a céu aberto fica em uma área de 201 hectares, equivalente a cerca de 280 campos de futebol, e é o segundo maior do mundo.

Agora, os resíduos passam a ser depositados, após triagem, no Aterro Sanitário de Brasília. Apenas as sobras de construção civil continuam indo para a Estrutural, até que haja um espaço específico para a destinação desse tipo de resíduo. O aterro receberá apenas rejeitos – ou seja, materiais não reutilizáveis – para minimizar os impactos ambientais.

O fechamento do lixão deixa sem trabalho os catadores, que tiram o sustento da coleta de resíduos no local. Alguns deles vão trabalhar nos galpões de triagem da coleta seletiva. Na última terça (16), oito cooperativas de catadores de material reciclável assinaram os contratos para trabalhar na triagem. 

Os cinco galpões – alugados até que os locais definitivos fiquem prontos – ficam nos Setores de Indústria e Abastecimento (SIA) e Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA), no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN) e em Ceilândia. Os profissionais que trabalharem nos galpões pelas cooperativas vão receber uma compensação financeira temporária de R$ 360,75, paga pelo GDF. O governo também vai pagar até R$ 350 por tonelada triada às cooperativas.

Além disso, sete cooperativas de catadores assinaram contratos para prestar os serviços de coleta seletiva em dez regiões do Distrito Federal: Cruzeiro; Itapoã; Lagos Norte e Sul; Paranoá; Riachos Fundo I e II; São Sebastião; Sobradinho; e Varjão. O valor varia de R$ 803,50 a R$ 865,40 por viagem. As cooperativas ficam responsáveis pelas obrigações trabalhistas, sociais, previdenciárias, tributárias e demais previstas em legislação, além do compromisso de orientar a população a respeito da separação dos resíduos e dos horários da coleta.

Mesmo com o fechamento do lixão, os problemas não vão embora; o governo terá que continuar monitorando o local e os riscos ambientais continuam. Serão décadas até que a tonelada de resíduos acumulados pare de agredir o meio ambiente. O chorume – líquido resultado do processo de decomposição das matérias orgânicas – precisará de monitoramento para que não contamine córregos da região, que desaguam no Lago Paranoá. Já para o gás metano, não há solução. É preciso apenas ter controle para que o fluido não cause explosões.

Lixão em número

Somente no ano de 2016, o lixão da Estrutural recebeu mais 830 mil toneladas de resíduos domiciliares. O ponto mais alto da montanha de lixo tem 55 metros de altura – pouco menos que o mirante da Torre de TV, que tem 75 metros. Segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), desde a década de 1960, foram aterradas cerca de 40 milhões de toneladas de lixo no local. (Com informações da Agência Brasília)