Crise humanitária

Lira cria comissão para investigar morte de Yanomamis

A criação da comissão tem o objetivo de investigar e tomar providencias sobre a crise humanitária indígena

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Máquina de garimpo ilegal é destruída pela Operação Mamon, na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso - 15 de dezembro de 2023 (Foto: Divulgação PF)

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criou uma comissão externa para investigar a crise humanitária dos indígenas Yanomami, em Roraima. O ato foi assinado segunda-feira (13) e publicado no “Diário Oficial da Câmara” desta terça-feira (14).

O grupo será coordenado pela deputada coronel Fernanda (PL-MT) com participação de outros 14 deputados do PL, União Brasil, Republicanos e MDB. 

A principal causa da crise humanitária do povo Yanomami é o garimpo ilegal dentro do territorio. A atividade causa a destruição da floresta e dos rios, o que prejudica a fauna e a flora da região e, portanto, a alimentação e a maneira de viver dos indígenas.

A extração ilegal também utiliza mércurio, metalk pesado que polui os rios, é ingerido pelos peixes, que depois servem de comida para os morsadores das comunidades, e causa de doenças graves, inclusives cerebrais.

A comissão planeja uma viagem a Roraima para investigar pessoalmente a situação dos indígenas yanomamis, especialmente na comunidade Aracaçá, onde ocorreram os episódios de violência relatados.

Recentemente, uma denúncia apontou que uma menina indígena teria sido vítima de estupro e outra estaria desaparecida, em um incidente envolvendo garimpeiros. A Polícia Federal realizou uma visita à aldeia para investigar os fatos e encontrou o local incendiado, sem a presença dos moradores.

Diante da gravidade do caso e da comoção nacional que se seguiu, desencadeando a campanha “Cadê os Yanomamis” nas redes sociais, a Câmara dos Deputados aprovou a criação desta comissão externa.

O líder indígena Junior Hekurari também denunciou o sequestro de uma mulher Yanomami e seu filho de três anos. O bebê foi atirado a um rio e segue desaparecido.

“No sobrevoo, vimos que a comunidade estava queimada. Segundo relatos, viviam lá, cerca de 24 yanomamis, mas não havia ninguém. Em todos meus 35 anos, nunca vi isso. Um Yanomami não abandona sua casa, a menos que seja uma situação muito grave”, afirmou.

O líder indígena ainda afirma que alguns yanomamis teriam sido cooptados com ouro pelos garimpeiros para atrapalhar as investigações e ficar em silêncio.

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