Nem aí

Lula, Janja e ministras se calam após agressão de capangas de Maduro

Seguranças do ditador agrediram Delis Ortiz e outros jornalistas

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Ditador venezuelano Nicolás Maduro e Lula, no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Ditador venezuelano Nicolás Maduro com Lula, e suas respectivas esposas, no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Dois dias de silêncio do presidente Lula e das principais mulheres com cargos de destaque no governo petista mostram que a agressão sofrida pela jornalista Delis Ortiz, da TV Globo, no Palácio Itamaraty, na noite desta terça-feira, 30, por seguranças do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, foi ignorada. O governo deve estar ainda à procura de uma narrativa para minimizar o soco no peito da repórter brasileira, como destaca a couluna do jornalista Cláudio Humberto desta quinta-feira, 1.

Nem Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente nacional do PT, nem Simone Tebet, ministra do Planejamento, nem Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Anielle Franco (Igualdade Racial) e nem a primeira-dama, Janja Silva, notabilizadas por frequentes discursos em defesa dos direitos das mulheres, tocaram no assunto ao longo desses dois dias. Até mesmo o ministro dos Direitos Humanos deixou o episódio de lado.

Tebet costuma se manifestar enfaticamente sobre a liberdade de imprensa, como fez ao longo do período eleitoral de 2022, em especial falando sobre o papel das mulheres na cobertura jornalística. Em agosto do ano passado, ela publicou uma nota de desagravo à jornalista Vera Magalhães, crítica de Jair Bolsonaro, após o ex-presidente respondê-la de forma áspera durante um debate entre os presidenciáveis.

Um dos raros posicionamentos veio da ministra Cida Gonçalves (Mulheres), que se manifestou nesta quarta-feira, 31, durante evento, repudiando “toda e qualquer agressão contra jornalistas” e se solidarizando com a repórter. Janja estava ao lado da ministra das Mulheres, fez discurso, mas não citou o caso de Delis Ortiz.

Outras manifestações isoladas foram do Itamaraty e da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, que divulgaram notas de duas linhas cada um, lamentando o ocorrido e informando que “providências seriam tomadas”. Até o momento, entretanto, nenhuma providência foi anunciada e sequer os autores da violência foram identificados.

Por outro lado, a recepção de Lula ao ditador Maduro foi calorosa e constrangedora. Janja até publicou nas redes sociais foto com o venezuelano, cujo governo é marcado por uma coleção de crimes contra a humanidade, o que inclui execuções, torturas e desaparecimentos de opositores. Segundo relatório da ONU, divulgado no ano passado, entre os crimes da ditadura de Maduro estão justamente torturas a jornalistas e estupro de mulheres que são contrárias ao regime.

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