Criticado ao redor do mundo

Após papelão de Lula, Ucrânia volta a convidar presidente a Kiev

País europeu que sofre invasão russa diz que petista precisa entender as 'causas reais da guerra'

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Lula em visita a Abu Dhabi - Emirados Árabes Unidos. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Inconformado com as atitudes do presidente Lula nos últimos dias sobre a guerra da Rússia com a Ucrânia, o governo do país europeu voltou a convidar o petista a visitar Kiev.

O porta-voz da chancelaria ucraniana, Oleg Nikolenko, afirmou desejar que Lula compreenda “as verdadeiras causas da agressão russa e suas consequências para a segurança global” em publicação feita nesta terça-feira, 18, no Facebook. Ele criticou ainda o petista por colocar “a vítima e o agressor no mesmo nível” e por atacar os aliados da Ucrânia que a ajudam a “proteger-se de uma agressão assassina”.

“A Ucrânia observa com interesse os esforços do presidente do Brasil para encontrar uma solução para a guerra. Ao mesmo tempo, a abordagem que põe vítima e agressor na mesma balança e acusa os países que ajudam a Ucrânia […] de incentivarem a guerra não está de acordo com a realidade”, disse Nikolenko.

O presidente ucraniano Volodimir Zelenski já havia chamado o brasileiro a Kiev no mês passado, em conversa por vídeo, no primeiro contato entre eles. Na ocasião, o petista disse que aceitaria o convite em momento oportuno.

Desde sua viagem a China, na semana passada, Lula tem feito declarações polêmicas, inclusive com ataques aos Eusatados Unidos. Ontem, 17, Washington acusou o Brasil de estar “papagueando a propaganda russa e chinesa sem observar os fatos em absoluto”.

O presidente brasileiro recebeu na segunda, em Brasília, o chanceler russo, Sergei Lavrov, para promover uma mediação internacional na guerra da Ucrânia. No domingo, ele também afirmou que o Ocidente está contribuindo para a continuidade do conflito.

Após o encontro, a Rússia declarou que a proposta do Brasil para mediar a guerra na Ucrânia “merece atenção”.

“Qualquer ideia que leve em conta os interesses da Rússia merece atenção e certamente precisa ser ouvida”, declarou nesta terça o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao ser questionado sobre a sugestão de Lula de ser criado um “G20 para a paz”, grupo de países para mediar o conflito.

Essa não é a primeira vez que Lula tem falas duvidosas sobre a invasão da Rússia a Ucrânia. Em maio do ano passado, o petista disse, em uma entrevista à revista americana Time, que Kiev tem tanta responsabilidade quanto Moscou pela guerra: “Uma guerra não tem apenas um culpado”.

Em outra declaração, Lula sugeriu que Crimeia, anexada em 2014 a Ucrânia pela Rússia, fosse cedida a Moscou por Kiev em nome da paz no início do mês.

A postura do presidente Lula em relação à guerra na Ucrânia pode afastá-lo de líderes estrangeiros e reduzir o diálogo do Brasil com a comunidade internacional, segundo avaliações de embaixadores de países ocidentais lotados em Brasília. Pode ainda complicar as negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia.

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