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Invasores deixam prédio da reitoria da UnB

Resistência acaba com chegada de oficiala de justiça com intimação

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Os estudantes que ocupavam o prédio da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) desde a última quinta-feira, 5, resolveram desocupar o local após as 20h, quando uma oficial de justiça foi até o local para exigir a reintegração imediata do prédio. Assustados, eles voltaram para o gabinete e após rápida reunião, decidiram deixar o lugar.

O grupo redigiu na manhã de segunda-feira, 9, uma carta em que listaram alguns pontos que consideraram fundamentais para a saída pacífica. Entre as reivindicações estava o pedido de revisão e acompanhamento da defensoria pública no processo do ‘catracaço’, ocorrido em fevereiro do ano passado; a responsabilização de centros acadêmicos por incidentes ocorridos em festas promovidas dentro da universidade e garantia de moradia digna para aqueles que recebem bolsa de assistência estudantil.

A carta foi escrita em conjunto com o defensor público Heverton Gisclan Silva. No fim da manhã, os estudantes decidiram em assembleia que as barricadas instaladas na entrada da reitoria seriam removidas para o último andar, onde fica a sala do reitor. Em contrapartida, a prefeitura do campus concordou em religar a água e luz dos ocupantes.

Por volta das 19h30 os estudantes tiveram a informação de que o reitor havia concordado com alguns pontos da carta. Em breve discussão, os alunos optaram por desocupar o lugar, mas exigiram que o reitor assinasse a carta com a presença dos alunos. Irredutível, Ivan Camargo disse que só assinaria o termo após a desocupação completa do local. Os estudantes voltaram para o gabinete da reitoria e, aos cantos de palavras de ordem, permaneceram na entrada.

Às 20h, a oficial de justiça apareceu.

Manifestações contrárias à violência da invasão já se multiplicavam pelo campus Darcy Ribeiro. Na manhã desta segunda-feira (9), um grupo de 300 pessoas marchou em direção à entrada da Reitoria e promoveu ação com pedido de ?democracia contra a violência?. Estudantes, professores e técnico-administrativos carregavam cartazes pedindo paz na universidade e anunciavam repúdio às recorrentes depredações em atos pretensamente estudantis. Toda a reposta pacífica à ocupação foi acompanhada pelo som de chorinho entoado por alunos e docentes do Departamento de Música.

Um dos idealizadores da ação contra a truculência, o professor Roberto Ellery considera ?inaceitável? que grupos procurem impor suas demandas ?por meio da força e da intimidação?. Em texto direcionado à comunidade, ele diz que protestos pacíficos não devem ser impedidos, mas critica a violência observada em ocupações. ?Os estudantes têm representação nos conselhos superiores e podem levar a esses conselhos avaliações a respeito de toda e qualquer decisão da reitoria?, avalia Ellery, que dirige a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Face).

O professor diz que a sucessão de agressões na UnB é incompatível com os interesses da sociedade. ?Ao partir para ação direta, no caso da invasão, e ao ignorar as regras de convivência, no caso dos happy hours, os estudantes não estão apenas afrontando o reitor e os diretores da UnB, estão afrontando a própria democracia?, afirma.

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