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Natureza ameaçada

Força-tarefa de cientistas da Ufal monitora óleo em corais e na costa alagoana

Foco é investigar danos causados e propor ações para mitigar problema

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Preocupados com o estado crítico dos corais, estuários e mangues, em meio à tensão vivida pela população que vive da pesca e do turismo, pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) já atuam em uma força-tarefa com cientistas de várias áreas para monitorar, avaliar e propor ações que possam reduzir os danos causados pelo óleo que atingiu a zona litorânea de Alagoas. O grupo foi oficializado pela reitora Valéria Correia, para estudar o desastre ambientam iniciado no litoral nordestino no final de agosto.

Apesar de o petróleo já ter atingido 180 km de praias alagoanas, afetando zonas estuarinas, corais e mangues, a boa notícia atestada pelos pesquisadores é que existem áreas de corais livres da contaminação. Mas também há áreas preocupantes como a área que abriga algas e corais na praia do Pontal do Peba, no município de Piaçabuçu (AL), foz do Rio São Francisco.

“Mergulhamos nas áreas de corais de Ipioca e Paripueira. Analisei 25 amostras coletadas e não encontrei vestígios de óleo”, informa o professor Emerson Soares, coordenador da Força-tarefa Ufal para o Desastre do Óleo e do Laboratório de Aquicultura e Análise de Água da universidade federal.

Para o professor Cláudio Sampaio, da unidade da Ufal em Penedo (AL), a chegada do material nos recifes da região do Pontal do Peba pode provocar dois impactos preocupantes. “Ele pode entupir os animais que são filtradores, como os corais e as esponjas. E o outro impacto é a contaminação, pois ele vai matar lentamente os organismos”, disse o integrante da força-tarefa da Ufal, à Gazetaweb.

Sampaio alerta para a necessidade imediata da remoção do óleo e de monitoramento da região para que a situação não registre um agravamento, já comunicado ao Ibama, à Marinha e ao IMA. E uma nova equipe deve chegar ao local nesta terça (29) para avaliar o grau do problema e a metodologia de retirada da substância.

Uma equipe da força-tarefa participou da expedição no litoral alagoano no sábado (26), com os pesquisadores Karlla Lima, mestre em comportamento ambiental e mergulhadora; Bárbara Pinheiro (Ufba); Emerson Soares (Ufal); o mergulhador e biólogo do Instituto Brasileiro Vida Marinha, Juliano Fritcher, com o apoio de empreendedores dos setores turísticos e de criadores de fauna autorizados pela legislação ambiental.

As ações estão voltadas também para a proteção das áreas não atingidas, já que o local do derramamento de óleo ainda não foi identificado.

Conchas de massunim e um siri com óleo no Pontal do Peba, em Piaçabuçu (AL). Fotos: Cláudio Sampaio/UFAL Penedo

A Força-tarefa Ufal para o Desastre do Óleo também conta com a participação dos pesquisadores Antônio Euzébio (Ceca), Renato Gaban (ICBS), Robson dos Santos (ICBS / Apa Costa dos Corais), Taciana Kramer (Penedo), Petrônio Coelho (Penedo), Marília Goulart (IQB), Josué Santos (IQB),  Edson Bento (IQB), Carlos Ruberto (Ctec), João Soletti (Ctec) e Leonardo Viana (IC /Propep).

Os pesquisadores estão participando de várias atividades, a exemplo de coleta e análise do material, monitoramento das espécies marinhas afetadas, atividades de conscientização da população sobre os cuidados que devem ser tomados ao lidar com esse material altamente tóxico, orientação para o armazenamento e descarte do produto retirado da costa, entre outras ações.

“Esse é um evento grave a vai demandar tempo para encontrar respostas. Entendemos a angústia da população que está sendo afetada, mas não podemos aplicar processos simplificados”, pondera o professor Leonardo Viana. (Com informações da Ascom da Ufal e da Gazetaweb)

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