Roeu a corda

Fecomércio provoca indignação no DF após prometer hospital de campanha e não entregar

Governo acha que Francisco Maia, o presidente, sempre soube que não honraria o compromisso

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Francisco Maia, falecido presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio-DF) - Foto: Luciano Freire.

Há clima de indignação, no governo do Distrito Federal, contra o presidente da Federação do Comércio (Fecomércio-DF), Francisco Maia, por não honrar o compromisso de montar e doar a Brasília um hospital de campanha para tratamento de pacientes de covid-19.

Testagem sem citar o governo do DF, que cedeu os testes.

“Chico Maia enrolou o governo, prometendo o que sabia não ter condições de cumprir, e também nos usou”, acusa um dos mais próximos assessores do Palácio do Buriti, convencido de que o presidente da Fecomércio-DF apenas pretendia se credenciar a relações próximas com o governo do DF.

Para ilustrar a acusação de que a Fecomércio-DF usou o governo, o assessor contou que a Secretaria de Saúde cedeu à entidade milhares de testes de covid-19 para serem feitos nos comerciários, mas, ao divulgar o procedimento, Francisco Maia omitiu o fato de terem sido adquiridos e distribuídos pelo governo do DF.

Oportunismo

No governo do DF ficou a impressão de que o presidente Fecomércio-DF se comprometeu com o hospital de campanha apenas para se aproximar do governador Ibaneis, que contava com isso para manter um número seguro de leitos disponíveis para o enfrentamento do covid-19.

De fato, Maia se aproximou do governo do DF a tal ponto que, por gentileza de Ibaneis, conseguiu se fortalecer politicamente entre comerciantes virando voz ativa, por exemplo, na definição de regras de flexibilização para retomada das atividades comerciais no DF.

Apesar disso e de outros ganhos obtidos pelo líder da federação, chegaram a Ibaneis relatos de que Maia falava mal dele e do seu governo.

‘Questão pacificada’

Francisco Maia estranhou as acusações do governo do DF, que para ele têm origem no secretário-chefe da Casa Civil, Valdetário Monteiro, espécie de “braço direito” do governador. O Diário do Poder conversou com várias fontes do governo do DF, na apuração desta reportagem, mas entre elas não estava Monteiro.

O presidente da Fecomércio-DF diz que assinou com o governo do DF apenas um “protocolo de intenções sem maiores compromissos”, e reconheceu que a entidade não teria condições de arcar com os custos do hospital de campanha sem o suporte do Sesc Nacional e da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Francisco Maia disse também que o presidente da CNC, José Roberto Tadros, chegou a telefonar para Ibaneis com o objetivo explicar a situação e que “o governador compreendeu direitinho”. Negou qualquer crise no relacionamento com o governador: “a questão está pacificada”.