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Operação Inventário

Família de ‘ex-cônsul’ diz que advogado preso na Bahia não o defende na Operação Faroeste

Defesa de Adaílton Maturino ressalta que ele não é 'falso cônsul', após não ter aval do Itamaraty

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Adailton Maturino é réu em denúncia do MPF na Operação Faroeste. Foto: Reprodução Facebook

A família de Adailton Maturino dos Santos, que é réu por envolvimento num esquema de venda de sentenças judiciais do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) para grilagem de terras no Oeste baiano, negou nesta sexta-feira (11) que o advogado João Novaes, preso ontem na Operação Inventário, seja seu defensor “no que concerne à Operação Faroeste”. Também é refutada qualquer ligação de Maturino com o objeto da investigação relacionada a Novaes.

Além de refutar qualquer ligação de Maturino com o objeto da investigação relacionada a João Novaes, a defesa do réu da Faroeste contestou ao Diário do Poder o uso do termo ‘falso cônsul’, para se referir a Maturino. E relatou o fato de o Governo da República da Guiné-Bissau ter comunicado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em 12 de junho de 2017, a intenção de abrir um Posto Consular Honorário em Salvador (BA) e nomear Maturino como “cônsul honorário” do país na capital baiana. A iniciativa não foi reconhecida pelo Itamaraty.

“A defesa de Adailton Maturino informa que em 2017, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades da República da Guiné-Bissau buscou abrir um posto consular honorário em Salvador (BA), nomeando Adailton Maturino como cônsul honorário, e solicitou autorização ao Itamaraty. Adailton também foi instituído conselheiro especial da Pasta. Diante da demora nos trâmites para esta autorização e diante da necessidade de formalizar Adailton como representante do seu governo, o brasileiro foi nomeado conselheiro especial do Presidente da República [da Guiné-Bissau, posteriormente”, disse a defesa de Maturino.

As informações foram repassadas ao Diário do Poder, através da assessoria de Adailton Maturino, que informou que quem o defende é a advogada Gabriela Guimarães.

Acusações

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou que Adailton Maturino apresentava-se falsamente como cônsul honorário da Guiné-Bissau, como juiz aposentado e como intermediador do esquema de propina junto a magistrados do TJBA, para regularizar posse de terras griladas na Bahia.

Ontem, o Diário do Poder fez referência ao caso, ao reproduzir dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citados em reportagem do site Bahia Notícias, que apontam que João Novaes movimentou cerca de R$ 29 milhões, sendo R$ 23 milhões ligados a Adailton Maturino.

Segundo a denúncia do MPF que foi aceita em maio pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ponto de partida do esquema criminoso foi o plano executado por Adaílton Maturino para validar matrículas de imóveis em nome de José Valter Dias, que saiu da condição de borracheiro para a de maior latifundiário do Oeste da Bahia, numa composição patrimonial que abarca cerca de 366 mil hectares de terras e cifras que superam R$ 1 bilhão, em valores atualizados.

A defesa de Adaílton Maturino não enviou a posição de seu cliente sobre as acusações que o tornaram réu no âmbito da Operação Faroeste.