Justiça

Ex-deputado Luiz Pedro é condenado a 26 anos

Luiz Pedro vai recorrer em liberdade até o trânsito em julgado

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Reiniciado o julgamento que leva ao banco dos réus o ex-deputado estadual e ex-vereador por Maceió, Luiz Pedro, na manhã desta quinta-feira (24), o promotor de Justiça Carlos Davi Lopes deu início à sua sustentação oral ressaltando a coragem da família do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos, assassinado em agosto de 2004, num bairro da periferia de Maceió. O pai da vítima, Sebastião Pereira, há 11 anos peregrina nas portas de órgãos oficiais e cemitérios em busca de justiça e do corpo do filho, que desapareceu do Instituto Médico Legal e jamais foi encontrado, apesar das mais de 100 exumações já realizadas. O membro do Ministério Público Estadual de Alagoas voltou a apontar Luiz Pedro como autor intelectual do assassinato e comparou a sua frieza a do líder nazista Hitler, cujo regime totalitarista comandando por ele, foi o responsável pelo extermínio de mais de 6 milhões de judeus na Europa, durante o período da 2ª guerra mundial. 

“Nem o nazismo foi tão cruel. Naquele regime, que também foi extremamente perverso, havia uma suposta lógica para o extermínio de inocentes. Na milícia comandada por Luiz Pedro, não. Matava-se por qualquer motivo abjeto. Seu grupo paramilitar agia do mesmo modo que os homens da era primitiva, onde o elemento da força era o mais importante. O ex-deputado liderava uma milícia de brutamontes”, afirmou o promotor. 

“E chamo a atenção do Conselho de Sentença para um outro fato curioso que existe nesse caso. Como os quatro assassinos materiais, semianalfabetos, tinham poder para fazer um corpo desaparecer do IML? É claro que o Carlos Roberto foi retirado de lá por alguém que detinha poder, influência, subtraindo da família, que já vivia a dor de perder um parente, o direito do sepultamento, da despedida. A rainha das provas é a lógica humana e é só atentarmos para ela que vamos ter a certeza de que aquele corpo desapareceu a mando do Luiz Pedro. O polo acusatório não é imbecil e sabe bem da autoridade que o réu, detentor de mandato à época, possuía”, acrescentou Carlos Davi Lopes. 

O membro do MPE/AL também destacou que, para se manter com poder, ainda que não esteja gozando de prerrogativa de função de cargo público, Luiz Pedro continua doando casas a pessoas pobres e agindo da mesma maneira de outrora, provocando uma espécie de 'limpeza' nos conjuntos populares dos quais ele é dono. “Ainda vive-se em Alagoas a época do coronelismo. O ex-deputado insiste em ser um senhor feudal, que domina vassalos em troca de favores. E esses tais vassalos, para serem beneficiados com as casas, precisam unicamente cumprir suas determinações, as ordens ditadas por eles. É preciso pôr fim a esse feudalismo e dar início a uma nova era”, argumentou. 

“E por último, rogo ao Conselho de Sentença que ajude o Ministério Público a fazer justiça. Lembre-se que a família do Carlos Roberto foi destruída. A esposa dele teve que depor por videoconferência porque, ameaçada de morte, deixou Alagoas para também não perder a vida. Ela foi impedida do convívio com as filhas porque, sob um programa de proteção à testemunha, não tinha como criá-las, educá-las. O pai, seu Sebastião, já foi ameaçado de morte por várias vezes e, com uma coragem gigantesca, não se calou. As netas, uma que tinha apenas quatro anos quando o pai foi assassinado, e, a outra, que ainda estava na barriga da mãe, não puderam crescer ao lado do pai. Não escolhamos o lado do opressor, optemos pelo lado da Justiça. Não se apiedem do falso do sofrimento do réu. Ele derramou sangue. A mudança para o fim da violência começa pela prisão de quem mata e de quem manda matar. Justiça é emoção, ela não se conceitua, ela se se sente, ela se vive. Durmam o sono dos justos, é o melhor sono, é o mais leve”, disse Carlos Davi Lopes.  

O advogado João Uchôa, que atuou como assistente de acusação, também usou de uma comparação para falar sobre a personalidade do acusado. “Tal qual o traficante colombiano Pablo Escobar, que dava proteção e alguns benefícios para as comunidades mantidas por ele, Luiz Pedro também é adepto dessa mesma prática. Mas, o que essas pessoas pobres não entendem é que elas, para sempre, serão reféns dele. Lamentavelmente, essa gente é igual a gado marcado e vai para o dono quer, para onde o dono o tange. Luiz Pedro é o Pablo Escobar do Brasil e quem depende do seu assistencialismo, tem que rezar na sua cartilha”, acusou Uchôa.

Condenado

Após quase 48 horas de júri, por volta das 18h da tarde foi anunciado, pelo juiz John Silas, o veredicto do conselho de sentença, que condenou o ex-deputado Luiz Pedro a 26 anos e cinco meses de prisão pelo assassinato do servente de pedreiro Carlos Roberto.

A defesa do réu, no entanto já afirmou que entrará com um recursos de apelação e o réu deve ficar em liberdade. 

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