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Impacto do desastre

Edifício é interditado e carnaval suspenso em bairro com danos geológicos, em Maceió

Festa tradicional na Lucena Maranhão é cancelada pelo impacto de desastre atribuído à Braskem

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Os danos geológicos atribuídos à extração de sal-gema pela Braskem segue modificando a vida de milhares de maceioenses dos bairros atingidos por tremor de terra, abertura de fendas e afundamento no solo. Os impactos mais recentes do monitoramento da região onde houve foram a suspensão de um dos carnavais mais tradicionais da capital alagoana, anunciada hoje (23) e a interdição de mais um edifício residencial por risco de desabamento.

Pelo fato de uma região do bairro de Bebedouro estar sendo monitorada em decorrência da instabilidade do solo, as festividades de Carnaval na Praça Lucena Maranhão não serão realizadas este ano. E a Coordenadoria Especial Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) interditou, na terça (21), o Edifício Albarello, localizado no bairro Pinheiro.

O motivo da interdição do residencial é a evolução das rachaduras no prédio. Segundo o engenheiro da Defesa Civil, Victor Azevedo, a medida é preventiva e visa salvaguardar a vida da população.

“O edifício apresenta um alto grau de deterioração e a presença e evolução das feições que aparecem no solo e nas paredes do prédio são um fator de grande risco. Por isso, a medida tem como objetivo proteger as pessoas e salvaguardar essas vidas. Após esse isolamento, ninguém mais está autorizado a circular dentro do edifício”, explicou ele.

Durante a ação, a equipe da Defesa Civil entregou um documento, que informa sobre os riscos e a proibição de entrada, para a síndica do edifício. Além disso, fitas zebradas foram dispostas em toda a região isolada e um Termo de Interdição exposto.

Área de risco

O Edifício Albarello está inserido na área verde clara do Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias e, de acordo com a diretora Operacional de Proteção e Defesa Civil, Joanna Borba, a área no entorno do prédio também vem sendo analisada pelo Centro Integrado de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cimadec).

“O prédio está em área com recomendação de realocação no Mapa de Setorização de Danos e estamos estudando uma maneira para salvaguardar todo o entorno do edifício”, esclareceu.

Para que se mantenham fora da região de risco, os moradores da área já recebem a Ajuda Humanitária fornecida pelo Governo Federal e agora devem receber indenizações do Plano de Compensação da Braskem, previsto no Termo de Acordo Para Apoio na Desocupação das Áreas de Risco, nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto.

O acordo foi celebrado entre a mineradora e os Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MPAL), e Defensorias Públicas da União (DPU) e de Alagoas (DPE/AL), homologado nos autos dos processos n° 0803836-61.2019.4.05.8000 e n° 0806577-74.2019.4.05.8000.

E as visitas dos técnicos sociais da Braskem às casas na Encosta do Mutange e na Encosta do Jardim Alagoas já foram iniciadas e devem durar cerca de três semanas, com identificação das casas e pesquisa familiar, que entendem como é cada família.

No Bom Parto, 62 imóveis danificados serão visitados a partir de 8 de fevereiro. E a áreas adjacentes à Área de Resguardo em torno dos poços de sal, começa a receber as visitas dos técnicos sociais no dia 10 de fevereiro. A denominada Zona D, que inclui principalmente imóveis no Pinheiro, e também em Bebedouro, será visitada a partir do dia 2 de março.

Praça Lucena Maranhão, no bairro de Bebedouro, era palco de festa tradicional em Maceió (AL). Foto: Max Monteiro/Secom Maceió

Outros polos

A Prefeitura de Maceió explicou que a suspensão do Carnaval na Praça Lucena Maranhão foi tomada para garantir a segurança da população. E informou sobre os oito polos nos quais a Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac) realizará o Carnaval: em Jaraguá, Benedito Bentes, Orla da Pajuçara, Ipioca, Fernão Velho, Moleque Namorador, Jacintinho e Pontal, conforme edital publicado no Diário Oficial do Município (DOM) desta quinta.

Ao divulgar novos estudos sobre a tragédia geológica, a Braskem continua negando ser responsável pelos danos, contrariando a conclusão dos estudos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que afirma não ter dúvida de que a extração de sal-gema causou o desastre. A mineradora vem ressaltando que, desde o abalo sísmico registrado em Maceió em março de 2018, a Braskem vem colaborando com as autoridades e realizando estudos para compreender as causas do fenômeno. (Com informações da Secom Maceió e Ascom da Braskem)