R$1 milhão

Desembargador é suspeito de negociar propina para beneficiar aliado de Beira-Mar

Investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal mostram que o desembargador Ivo de Almeida teria negociado propina de R$ 1 milhão para beneficiar narcotraficante

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Traficante Fernandinho Beira-Mar (Foto: Brunno Dantas/TJRJ)

Investigações da Policia Federal (PF) e do Ministério Público Federal mostram que o desembargador Ivo de Almeida, da 1ª Câmara Criminal do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), teria negociado propina de R$ 1 milhão para beneficiar o narcotraficante e homem de confiança de Fernandinho Beira-Mar, Romilton Queiroz Hosi.

Ivo foi alvo da operação Churrascada e afastado de seu cargo pelo Superior Tribunal Federal (STJ) por um ano.

Segundo a investigação, Ivo pode ter tentado influenciar o voto de um segundo julgador do habeas corpus, que teria recusado a oferta. Devido a recusa, o intermediário do desembargador teria aconselhado uma nova tentativa para favorecer o narcotraficante.

“Recorde-se que a perspectiva era de obter transferência do preso para o estado de Mato Grosso por meio da ordem de habeas corpus. Por isso o juiz teria instruído os autores a juntar documentos que comprovassem vínculo familiar no local de destino”, alega a Procuradoria-Geral da República (PGR). O preso tinha interesse prévio em ir ao presidio de Cuiabá

“Afirma-se categoricamente que o desembargador aceitou a proposta de ‘venda de decisão judicial’, mas houve dificuldades, pelas peculiaridades do caso concreto, em convencer os demais membros da Câmara a participar da corrupção”, afirmou a PGR.

Além de ser afastado pelo STF, a Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou reclamação disciplinar contra o desembargador.

Conforme a decisão, a divulgação dos fatos pela mídia, “pode indicar que a conduta do requerido é contrária aos deveres de independência, prudência, imparcialidade, integridade profissional e pessoal, à dignidade, à honra e ao decoro, circunstâncias que justificam a instauração de processo”.

O jornal Folha de São Paulo, que divulgou as informações, procurou a defesa do magistrado, mas não obteve resposta.