BBB do crime

PCDF desarticula quadrilha que monitorava veículos ilegalmente

A ação do grupo violava a intimidade e privacidade da população que era filmada sem seu conhecimento ou consentimento

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As câmeras possuíam leitores de caracteres (LPR) e programação de inteligência artificial, permitindo o reconhecimento de placas veiculares (Foto: Reprodução//PCDF)

Uma operação realizada por policiais da 9ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal nesta quarta-feira (31) desarticulou um grupo criminoso que comandava uma rede privada de câmeras que monitorava ilegalmente os fluxos de veículos com a captura das placas.  

A operação Horus cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em diversas regiões do Distrito Federal. A ação do grupo violava a intimidade e privacidade da população que era filmada sem seu conhecimento ou consentimento.  

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) encerrou o esquema ilegal de vigilância rodoviária, conhecido como Big Brother do crime. Segundo o delegado Erick Sallum, todas as câmeras instaladas pelo esquema foram apreendidas, e o direito ao anonimato da população foi restabelecido. 

As câmeras possuíam leitores de caracteres (LPR) e programação de inteligência artificial, permitindo o reconhecimento de placas veiculares. Elas mapeavam e retiravam fotos dos trajetos da rotina das pessoas. 

As imagens obtidas com esse monitoramento eram anunciadas em um site e em um perfil de Instagram por R$ 150 a consulta. Os anúncios diziam que o serviço seria para colaborar na recuperação de veículos subtraídos, mas o constatado foi diferente. 

Durante uma investigação, a 9ª DP comprou um dos acessos e conseguiu verificar a rotina de passagens do carro de um dos delegados da unidade. A equipe se cadastrou em nome de Papai Noel e, após o pagamento via PIX, recebeu um relatório por e-mail contendo imagens de oito passagens do carro em vias do DF. 

A venda dessas informações nesses sites é fácil e descontrolada, permitindo que qualquer pessoa, inclusive mal-intencionados, possa acessar esses dados e pesquisar as placas e trajetos de qualquer veículo. 

De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, os proprietários das câmeras não residem no DF e não possuem pessoa jurídica estabelecida na região. Além disso, nenhum órgão público tinha conhecimento da atividade que era realizada. 

“Importante destacar que a Polícia Judiciária entende que sistemas de videomonitoramento são importantes ferramentas coadjuvantes na segurança pública. Contudo, desde que autorizadas e supervisionadas pelo Poder Público conforme preconizado por lei. A vida privada das pessoas não pode ser mercantilizada sem justa-causa na internet sem a ciência ou consentimento da população”, destacou o delegado. 

Os criminosos serão indiciados por exercício ilegal de atividade, divulgação de segredo e falsidade ideológica. Durante a apuração, foi constatado que pelo menos 2.000 pesquisas de carros no Distrito Federal foram realizadas. 

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