Distrito Federal

Novos anestesistas começam a atuar na rede de saúde do DF

Com investimento de R$ 20 milhões, objetivo é realizar 26 mil operações eletivas, reduzindo o tempo de espera

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Foto: Davidyson Damasceno/ IgesDF

Os 150 anestesistas contratados pela Secretaria de Saúde (SES-DF) já começaram a atuar em diversas unidades da rede. Na manhã desta segunda-feira (24), Francisca Maria Santos de Souza, 51 anos, aguardava para entrar na sala de cirurgia do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

Diagnosticada em fevereiro deste ano com câncer de mama, a moradora do Riacho Fundo celebrou os novos profissionais.“Por causa dessa disponibilidade, todo o processo foi mais rápido do que eu esperava. Da biópsia ao encaminhamento à operação, foram menos de quatro meses”, conta.

Geovana Alves, 20, acompanhou a mãe na cirurgia. “Também achei bem ágil. Quando ela me deu a notícia, pensei que seria algo em torno de um ano, talvez até mais tempo. A gente torceu muito para o procedimento sair o quanto antes. Com certeza esse investimento ajuda a atender cada vez mais pessoas.”

Devido à baixa adesão nas nomeações da especialidade, a SES-DF destinou, no total, R$ 20 milhões para a contratação dos profissionais. Com a modalidade proposta de credenciamento, os pagamentos devem ocorrer por número de anestesias realizadas – ou seja, por produção. Nos próximos 12 meses, serão cerca de 26 mil procedimentos da lista de espera.

O médico anestesista contratado Felipe Marcondes Fidalgo acredita que o movimento da pasta representa uma grande melhoria no atendimento à população. “Estamos falando de um serviço essencial. Está sendo bem desafiador, mas temos um apoio grande, com muita gente empenhada em reduzir o tempo para os pacientes”, diz.

No Hmib, a previsão inicial é de abrir diariamente duas salas de cirurgias eletivas pela manhã e duas à tarde. Hoje, são cerca de 250 procedimentos mensais realizados, entre eletivos e de urgência. Com o reforço, a previsão é fazer uma média de dez operações diárias – um aumento de 200 cirurgias.

Para a diretora de Atenção à Saúde do Hmib, Andréia Regina Araújo, a iniciativa não só auxilia na redução da espera, como também impacta na qualificação dos profissionais. “Como o Hmib é um hospital de ensino, o aumento de cirurgias eletivas reflete ainda na formação dos nossos residentes. São mais oportunidades de mudar a vida de alguém e de aprendizado”, aponta.

Cuidar do paciente

Na outra ponta da capital federal, anestesistas contratados iniciaram o dia nas salas de cirurgia do Hospital Regional do Gama (HRG). Em uma delas, João Gois da Silva, 69, adormecia para se submeter a uma prostatectomia radical (retirada completa da próstata).

Os problemas do morador do Jardim Ingá, em Luziânia (GO), começaram em dezembro de 2023, com dores abdominais e dificuldade para urinar. No hospital, foi encaminhado ao urologista. “Tenho muita esperança de ficar bem. Estou aposentado, mas quero voltar a trabalhar”, disse, momentos antes de entrar na sala de cirurgia.

Quem acompanhou João foi o anestesista contratado Wagner Nunes Corsi. Há 40 anos na carreira, o profissional conta que escolheu a área por acaso. “Fiz residência médica em São Paulo para obstetrícia, mas não me identifiquei. Via os anestesistas nas salas de operação e me vi interessado”, relata.

O trabalho desenvolvido pelo médico da área é, segundo Corsi, peça-chave em uma cirurgia. Sem a presença desse profissional, a operação não pode ser realizada. “Dentro da sala, nossa responsabilidade é cuidar do paciente. Estamos sempre atentos à dor e à recuperação da pessoa”, explica.

Enquanto os olhos de Corsi cuidavam de João, em uma das outras seis salas do centro cirúrgico do HRG, o anestesista contratado Vitor Hugo das Chagas Souza Silva se concentrava no paciente à sua frente. “Evitamos consequências à pessoa, damos conforto e mantemos a homeostase [equilíbrio interno no organismo] durante todo o procedimento”, detalha.

Ao todo, dois anestesistas contratados irão atuar nas cirurgias eletivas dentro do HRG. Atualmente, o centro cirúrgico é responsável por cerca de 500 procedimentos ao mês, entre eletivos e de emergência. Com o acréscimo dos profissionais, a unidade espera realizar 12 operações por dia. (Com Ag. Brasília)