Mais Lidas

mortas em casa

Devastadores, crimes de feminicídio marcam impunidade e descaso com as mulheres

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 80% dos feminicídios ocorrem na casa da vítima

acessibilidade:
DF registrou 40% de aumento em tentativas de feminicídio em 2021. Foto: Pixabay/Reprodução

Um crime brutal marcou o início da noite deste domingo (20) em Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal. Thais da Silva Campos, uma jovem mulher de 27 anos, foi baleada cinco vezes, à queima roupa, dois dos tiros disparados quando ela já estava caída ao chão. O principal suspeito, segundo a polícia do DF, o ex-marido, Osmar de Sousa Silva.

Na última quinta-feira (17), também em Sobradinho, foi a vez de Melissa Mazzarello, 41 anos, ser vítima da crueldade de alguém com quem dividia a vida. Leandro de Barros Soares, 41 anos, marido de Melissa, a asfixiou até a morte após uma discussão. Ele deixou o corpo da mulher caído ao lado da cama, buscou os filhos na escola e deixou-os na casa da avó e depois se entregou à polícia.

No início de junho, madrugada do dia 8, uma criança de 2 anos assistiu o pai matar a mãe com uma facada no pescoço. Fernanda Landim, 33 anos, recebeu de seu companheiro,  Angelo Gabryel, 29 anos, um golpe na jugular enquanto dormia com a filha do casal. O crime, mais uma vez, ocorreu em Sobradinho.

Impunidade

Os três casos apresentam muitas semelhanças, a mais devastadora: o histórico de violência doméstica e três homens à solta. Osmar da Sousa Silva, antes de matar a ex-esposa, já tinha passagem pela Lei Maria da Penha. Em 2016, uma outra mulher o denunciou por agressão.

Leandro Barros de Soares foi denunciado pela esposa, a quem matou posteriormente, por violência doméstica. Melissa Mazzarello registrou queixa de agressão contra o marido, em setembro de 2020, motivo que levou à separação. Ela chegou a ficar sob medida protetiva até janeiro deste ano, quando reatou o relacionamento com Leandro.

Não diferente dos demais, Angelo Gabryel também já havia sido denunciado por violência doméstica. Fernanda teve duas medidas protetivas concedidas pela Justiça em 2019 e mais uma no ano passado. A cabelereira confiou no marido e pediu a revogação das medidas em maio, um mês antes de ser assassinada a facadas.

Crime frequente

Além das três ocorrências de junho, de acordo com o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP), o primeiro trimestre de 2021 registrou cinco casos de feminicídio na capital. De lá para cá, já ocorreram pelo menos mais nove crimes do gênero.

O relatório da SSP mostra que 80% das vítimas morreram em suas casa e que 85% dos casos foram cometidos pelos ex-companheiros ou homens que mantinham relacionamento atual com as vítimas.

As tentativas de feminicídio aumentaram 40% em comparação com o mesmo período de 2020. O primeiro trimestre do último ano recebeu 10 ocorrências, enquanto em 2021, este número foi de 14 registros. O descumprimento de medidas protetivas também sofreu acréscimo, indo de 317 para 319 casos.

A campanha #ehproblemameu , iniciada em Israel com o nome #its_my_problem, convida não somente à reflexão, mas chama a responsabilidade do combate à violência contra a todos. Assista ao vídeo: