Meio bi contra colapso

Prefeito apela por suspensão de dívidas para reconstruir Porto Alegre

Sebastião Melo estima que teria acesso a R$ 550 milhões para reparar danos após enchente histórica na capital gaúcha

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Prefeitura atua para recuperar rastro de destruição da enchente histórica, em Porto Alegre (Foto: Alex Rocha/PMPA)

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), divulgou hoje (20) que oficializou, na quinta (16), apelos para que instituições financeiras suspendam pagamentos das dívidas do município, prorroguem por dois anos do prazo total de amortização e a transfiram esses pagamentos para os últimos anos dos contratos de operações de crédito. O objetivo é acessar cerca de R$ 550 milhões economizados com a repactuação de empréstimos, para reconstruir a capital gaúcha, atingida desde 29 de abril pela maior enchente da história da cidade.

Nos ofícios destinados a bancos públicos e privados brasileiros e internacionais, Sebastião Melo justificou que a catástrofe climática levou a economia local a uma situação delicada, ao afetar, hoje, 2,3 milhões de gaúchos em 463 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

“Esta medida é crucial para permitir que Porto Alegre se recupere desta calamidade, restaurando a dignidade e a infraestrutura essencial para seus cidadãos”, argumentou o prefeito.

As solicitações foram enviadas às seguintes instituições financeiras: Caixa Econômica Federal, Corporación Andina de Fomento (CAF), Banco do Brasil, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Badesul Desenvolvimento S.A.

O objetivo é direcionar o montante que iria para o pagamento de empréstimos para as seguintes ações emergenciais: aluguel social, construção de moradias, reparo de escolas e vias públicas, restauração de serviços básicos.

Prefeito Sebastião Melo (MDB) lida com desafio de reconstruir Porto Alegre após cheia histórica (Foto: Cesar Lopes/PMPA)

Impacto da destruição

A prefeitura divulgou como exemplo dos altos custos para recuperar a cidade os R$ 100 milhões já gastos apenas com a limpeza inicial para começar a reconstrução.

O secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cezar Schirmer, ressalta que a suspensão das cobranças pelos bancos é crucial para evitar um colapso financeiro de Porto Alegre, ainda que a estimativa possa variar conforme o fluxo de desembolsos dos projetos.

“A arrecadação municipal deve diminuir significativamente, visto que precisamos lançar mão de todo o recurso possível para providências essenciais de recuperação da infraestrutura da cidade”, justificou o secretário.

A plataforma oficial de Porto Alegre sobre os impactos do desastre expõe 157,7 mil habitantes afetados diretamente pelas enchentes que impactaram mais de um milhão de porto-alegrenses, com a inundação histórica do Lago Guaíba, a maior em 83 anos.

Veja o quadro sobre os impactos na capital gaúcha:

 

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