BB mantém presença

Agrishow cancela abertura, após governo Lula retaliar por Bolsonaro

Ministro anuncia perda de patrocínio do BB, que mantém 'presença comercial" em feira de tecnologia agrícola

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Agrishow movimenta bilhões anualmente em negócios de tecnologia na agricultura. Foto: Reprodução/YouTube Agrishow

A maior vitrine do mercado de tecnologia agrícola do Brasil, a Agrishow, cancelou a abertura de sua 28ª edição, prevista para esta segunda-feira (1º), no feriado do Dia do Trabalhador. O motivo foi a repercussão da reação do governo do presidente Lula (PT) em não aceitar o convite ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a cerimônia, e ainda anunciar uma retaliação ao evento com a retirada do patrocínio do Banco do Brasil. O cancelamento foi definido na noite de ontem (29), pelos realizadores do evento que mantém programação até sexta-feira (5), em Ribeirão Preto (SP).

Em nota publicada ontem, o Banco do Brasil não confirmou a desforra contra a Agrishow anunciada pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Lula, Paulo Pimenta. A instituição financeira com 50% de ações controladas pelo Governo Federal informou que “estará presente na Agrishow por meio de sua atuação comercial”. E ponderou que tomará “medidas cabíveis” se houver “desvio das finalidades negociais previstas” pelo evento.

A nota da Agrishow não atribui o cancelamento diretamente ao combate ideológico travado entre o atual governo de Lula e o ex-chefe do Palácio do Planalto. Mas cita “toda a repercussão gerada pela cerimônia de abertura” do evento que movimenta bilhões, anualmente, em negócios de tecnologia na agricultura.

Conflito ideológico

Ao anunciar a retaliação não confirmada pelo BB, Pimenta reagia ao suposto “desconvite” do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que pretendia usar o palco do evento para anunciar crédito extra para o Plano Safra. E reclamava de “descortesia”, ao sugerir que a feira de negócios não poderia ter “patrocínio público”, se não fosse plural e apartidária.

O próprio Fávaro afirmou, na quinta-feira (27), que não compareceria à cerimônia por causa da presença de Bolsonaro, alegando ter recebido sugestão da organização do evento para que ele comparecesse somente no dia seguinte à participação do ex-presidente na abertura.

A ausência de representante na abertura da Agrishow seria inédita, desde sua primeira edição, em 1994.

Veja a nota da Agrishow, enviada ao Diário do Poder:

Nota Oficial Agrishow

Em virtude de toda a repercussão gerada pela cerimônia de abertura da 28ª edição da Agrishow, as entidades realizadoras do evento (ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, ANDA – Associação Nacional para Difusão de Adubos, FAESP – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e SRB – Sociedade Rural Brasileira), optaram por não realizar a solenidade de abertura da feira, prevista para o dia 1º de maio.

A Agrishow mantém a sua tradição de ser a principal vitrine do setor, apresentando o que há de mais moderno em tecnologia para agricultura e pecuária, e soluções para pequenas, médias e grandes propriedades, estimulando a realização de negócios.

Mantemos o convite para que visitem o evento e conheçam as inovações que estão ampliando a competitividade e o desenvolvimento do setor.

 

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