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Crise no setor sucroenergético

Dívidas acumuladas já tingem R$3 bilhões

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A crise sucroenergética foi discutida na manhã desta terça-feira (30) em uma audiência realizada na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). o prejuizo somado pelo Estado de Alagoas soma cerca de R$ 3 bilhões neste setor nos últimos anos por causa do longo período de seca. 

Segundo o sindicato da indústria do Açúcar e do Álcool no estado de Alagoas (Sindiaçúcar-AL), cerca de 30 milhões de toneladas, o suficiente para tornar o Estado o maioro produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, mas com a crise esse valor caiu para 21 milhões. 

"Saber esse valor hoje é difícil, porque cada uma tem sua dívida. O que temos hoje é uma negociação feira em 2003, de R$ 460 milhões, que foram parcelados em 180 meses. Mas, isso foi por programa de adesão e não obrigatoriamente. Estabelecer o montante de hoje é difícil porque estão sempre nascendo novos autos de infração”, comenta Marcos Garcia, assessor técnico da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), sobre a dívida acumulada pelos usineiros.

O presidente do sindicato, Pedro Robério, informou que a situação melhorou um pouco recentemente e a produção subiu para 23 milhões de toneladas. "A redução tem causado um grande prejuízo não só às empresas, mas também aos municípios e ao estado. Deixou de circular um bilhão de reais por ano em Alagoas nos últimos três anos. É uma perda muito grande. E, dos 102 municípios, 58 são produtores de cana-de-açúcar, sendo mais da metade dependendo dessa atividade", relata.

Álvaro Vasconcelos, secretário estadual de Agricultura, disse que a crise no setor tem levado as empresas a não pagarem os fornecedores, que, consequentemente, não remuneram os trabalhadores. O governo, segundo ele, está estudando meios de minimizar a crise e um deles é comprando o que sobrou da cana.

"O governo sabe da situação dos produtores e dos trabalhadores, que estão passando necessidades. Estamos comprando o que sobrou da cana para que seja distribuído na região semiárida, como alimento para o gado. Lá também há uma crise pela falta de alimento para o rebanho e dessa forma beneficiamos os dois setores", destaca.

"Algumas usinas estão conseguindo pagar; outras, não. Os fornecedores também têm suas responsabilidades para arcar e isso gera um efeito dominó, sem geração de emprego e renda. Por isso também estamos trabalhando num programa de diversificação da cultura, com o cultivo de soja, que Alagoas nunca plantou, e também de milho. Isso na entressafra, mas também pode ser levado para outras áreas nos demais períodos", disse ele.

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