Descaso

Cerca de 80% dos municípios que sediam escolas médicas possuem infraestrutura inadequada

Das 390 escolas em funcionamento no Brasil, um total de 288 estão em áreas cuja infraestrutura é inadequada

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Os dados foram apresentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). (Foto: Marcelo Camargo/ABr).

Cerca de 80% de todos os 250 municípios que sediam escolas médicas no Brasil não possuem a infraestutura adequada para o funcionamentos dos cursos.

Entre os problemas apresentados nas sedes escolares estão, números insuficientes de leitos de internação, de equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e de hospitais de ensino.

Os dados foram apresentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que apontou que as estruturas para sediar as escolas jamais podem apresentar os problemas citados acima.

A falta de infraestrutura afeta 196 cidades, que, juntas, abrigam 288 estabelecimentos de ensino superior de medicina, o que corresponde a 31 mil mil vagas (71% das 43 mil existentes no país).

Assim, das 390 escolas em funcionamento, um total de 288 estão em áreas cuja infraestrutura é inadequada.

Em 196 municípios (78%) que possuem escolas médicas não há número de leitos suficientes capaz de atender a razão preconizada. Um total de 112 localidades (46%) tem mais alunos nas equipes de saúde da família do que o recomendado; e 179 (72%) não dispõem de hospital de ensino.

Do conjunto de 390 escolas, 111 estão em municípios que não atendem os três requisitos mínimos; 191 estão em localidades que não atendem pelo menos dois dos itens apontados como fundamentais pelos médicos; e 197 não respondem a um dos critérios recomendados.

Para o CFM, o processo de formação fica comprometido, pois o curso de medicina depende de campos de prática para completar o ciclo de ensino-aprendizado.

“Contra distorções, nós, do CFM, recomendamos que os critérios que defendemos sejam abraçados como regra rígida. Lembro que eles já foram, inclusive, adotados pelo Ministério da Educação por décadas, até 2013, quando começaram a ser flexibilizados para permitir o avanço de cursos que testemunhamos. As cidades têm que oferecer serviços de pronto-atendimento, atenção psicossocial ou maternidades. Não é isso que vemos. Isso causa prejuízos a todos, pois a formação de médicos é questão essencial para a excelência e segurança na assistência à saúde”, afirmam o presidente do Conselho, José Hiran Gallo, e o conselheiro Júlio Braga, coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM.

Das 390 escolas médicas do país, 35% (136) são públicas e 65% (253), privadas.

Há uma grande concentração nas regiões com maior desenvolvimento socioeconômico: 215 (55%) estão localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, onde já há grande quantitativo de médicos por habitantes.

Além disso, 70% dos 253 cursos privados ficam nesses seis estados e mais Santa Catarina.

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