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Suspeitos de covid-19 aglomeram-se em recepção da maior emergência de Alagoas

Pacientes lotam HGE em Maceió, enquanto eleitores esperam Renan Filho inaugurar hospital

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Pacientes com suspeita de covid-19 amontoam-se no Hospital Geral do Estado de Alagoas, em Maceió. Foto: Divulgação/Arquivo

Depois de atrasar por quase dois anos a entrega do novo Hospital Metropolitano de Maceió, o governo de Renan Filho (MDB) acumula dezenas de doentes com suspeita de covid-19 na recepção da maior unidade de emergência de Alagoas, na capital do estado. O cenário de guerra foi denunciado por um profissional do hospital público, que divulgou em detalhes o descaso de paciente e seus familiares, que se aglomeram em macas, cadeiras de rodas e em pé, esperando durante horas pelo atendimento, descumprindo recomendações de distanciamento social decretada pelas autoridades de saúde e cientistas de todo o mundo.

O denunciante relata que há superlotação de pacientes de coronavírus, que não ficam em isolamento, mas misturados nas áreas azul e dos consultórios clínicos, com gente sentada até em caixa de frutas. A falta de vagas para pacientes graves na área vermelha também é denunciada, assim como a ausência de suporte ventilatório nem assistência adequada.

“Quando os pacientes chegam precisando mesmo de suporte ventilatório a gente manda para a [área] Vermelha. Mandei 3 graves e o médico disse para eu não mandar mais porque não tem onde colocar. Disse que a última paciente ficou na cadeira de rodas. E a gente perguntou a direção para onde ir mandar. E simplesmente disseram para mandar para a Azul. E perguntei se ia ter ventilador, ponto de oxigênio, suporte para paciente grave? Disseram que não sabiam, que iam abrir uma enfermaria”, disse o profissional que trabalha no HGE.

Ele confirma que, realmente, desabilitaram enfermarias que eram para pacientes de cardiologia e clínica médica. “Estão colocando pacientes na Ala A, já tem umas três enfermarias de paciente de Covid-19 de Ala A, são pacientes graves, mas não tem ventilador. Consultórios do [setor] Clínico, consultório 1 e 2 viraram depósito de paciente de Covid. Tem outra salinha que virou depósito de paciente de Covid, ficam todos misturados, sem assistência, muitas vezes sem a medicação que falta. Olhe, tá uma coisa assim que parece cenário de guerra mesmo”, denunciou.

Além disso, acusa que o atendimento na central de triagem aberta no Ginásio do SESI não tem demonstrado resolutividade e os funcionários de saúde do estado tem adoecido, por sobrecarga de trabalho e baixa qualidade de equipamentos de proteção individual.

“Muitos profissionais adoecendo, porque os EPIs que eles dão são frágeis, tipo, o avental, você já veste rasgando. O povo muito passivo, sofre calado, morrendo, esperando horas a fio pelo atendimento. Muitos médicos recém-formados, ficam batendo cabeça”, relatou o denunciante.

Cenário de guerra na pandemia de coronavírus, no HGE de Alagoas. Foto: Divulgação

Caos nos hospitais, rigor nas ruas

O caos no Hospital Geral do Estado (HGE) acontece após uma escalada de contaminações, que fez Alagoas acumular 2.258 casos e 126 mortes pela covid-19 e governador obrigar uso de máscaras nas ruas e medidas mais rígidas de isolamento social, sob ameaça de investigar por crime quem desrespeitar as regras do decreto.

Ainda hoje, o governo estadual emitiu alerta apelando pelo isolamento social da população e para o risco de colapso. As unidades de saúde do estado atinge um nível de lotação de mais de 70% dos leitos de UTI reservados para pacientes com o novo coronavírus em unidades públicas e particulares conveniadas para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Depois de ser reeleito em 2018 com peças publicitárias que mostravam operários trabalhando 24 horas nas obras do novo Hospital Metropolitano de Maceió, que deveria ser inaugurada naquele ano eleitoral, Renan Filho anunciou em abril a medida de “antecipar” para a próxima sexta (15) a entrega da nova unidade que assumirá o posto de maior emergência de Alagoas, com 160 novos leitos para pacientes da covid-19.

Há pouco menos de um mês, a Prefeitura de Maceió e o governo de Alagoas contrataram 227 novos leitos e mesmo assim, o quadro de lotação de leitos já está no limite.

Em Maceió, no Hospital da Mulher, 37 dos 50 leitos clínicos disponíveis estão ocupados (74%). Na UTI deste hospital adaptado desde abril para receber exclusivamente casos de Covid-19, a taxa chegou a 63%. No Hospital Sanatório, 29 dos 32 leitos já estão utilizados, restando apenas 01 de UTI. E no Hospital Universitário (HU), 13 dos 14 leitos de UTI também foram preenchidos.

O Diário do Poder não obteve respostas ao pedido por uma posição do governo e da direção do HGE sobre o caos no atendimento aos pacientes.

 

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