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Obra de quase R$ 2 milhões está abandonada pela Ufal, em Arapiraca

Descaso de dois anos ameaça equipamentos de alto custo na Ufal

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Prédio com infiltrações mantém equipamentos de alto custo sob riscos no Restaurante da Ufal em Arapiraca (Imagens: Cortesia internauta Fernando Lima)

Projeto inaugurado em dezembro de 2015 e que deveria beneficiar 1.800 pessoas por dia com alimentação de qualidade e baixo custo, o Restaurante Universitário do Campus de Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) está abandonado, há mais de dois anos, sem jamais ter servido um prato de comida. O resultado do investimento de quase R$ 2 milhões está sendo deteriorado, em um prédio repleto de infiltrações causadas por falhas construtivas, com equipamentos de alto custo largados pelo chão, expostos a goteiras e à ação do tempo e da umidade.

O flagrante do descaso com o patrimônio público foi registrado em vídeo, no dia 23 deste mês de abril. E mostrou que, além do investimento de R$ 1.873.924,00 no prédio, equipamentos de alto custo como batedeira industrial de R$ 2,7 mil, freezer de R$ 2,3 mil; condicionadores de ar Split com preços que variam de R$ 1,1 mil a R$ 4,7 mil; e até descascador industrial de R$ 6,6 mil; além de três câmaras frigoríficas.

O Restaurante Universitário do Campus do Sertão da Ufal, em Delmiro Gouveia, inaugurado no mesmo dia, também se encontra desativado, desde sempre.

“É lamentável, é triste ver uma situação dessa, em um prédio que deveria estar funcionando e beneficiando milhares de estudantes que passam o dia inteiro aqui na universidade e não têm onde se alimentar. Equipamentos comprados, no prédio aqui, jogados ao abandono. E a situação só piora a cada dia, com milhões de investimento de dinheiro público jogados, desperdiçados, se acabando aqui. Nosso dinheiro virando sucata”, disse o estudante de letras Fernando Lima, que enviou a denúncia ao Diário do Poder.

Veja o vídeo:

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CONTEMPLANDO O CAOS

De acordo com a Superintendência de Infraestrutura da Ufal (Sinfra), a obra erguida pela empresa Sandalu Fabricação e Montagem de Estruturas Metálicas LTDA está na garantia e a Ufal notificou a construtora para solucionar os problemas em novembro de 2017. A medida foi tomada quase dois anos após o restaurante ser inaugurado pelo ex-reitor Eurico Lôbo, durante as férias dos estudantes, na sua despedida, antes de transmitir o cargo à Valéria Correia.

Ex-reitor Eurico Lôbo inaugurou restaurantes em 2015 (Foto: Ascom Ufal)“O edifício foi inaugurado em dezembro de 2015. A empresa que executou a obra foi notificada solicitando a garantia da obra, através de abertura de processo administrativo (n° 23065.037927/2017-01). O setor de engenharia está analisando a resposta da empresa e produzindo um relatório técnico detalhado, para dar andamento ao processo de garantia da obra”, disse Felipe Paes, da Sinfra, por meio da assessoria de comunicação da Ufal.

Depois de ressaltar que não houve paralisação de obras, o representante da Sinfra afirmou que “não estava no escopo da obra a entrega de equipamentos”, ao ser questionado sobre o abandono dos equipamentos no interior do prédio. E sugeriu que quem teria informações sobre o assunto seria a Pró-reitoria de Gestão Institucional (Proginst), responsável sobre a aquisição de equipamentos e mobiliários.

Já a Proginst respondeu o seguinte, quando o Diário do Poder reforçou o questionamento sobre os equipamentos largados no Restaurante Universitário de Arapiraca à assessoria da Ufal: “A Proest [Pró-reitoria Estudantil] está acompanhando isso e pode responder melhor, mas não há registro dessa situação se deterioração dos equipamentos”.

Ao Diário do Poder, o estudante Fernando Lima disse que o vice-reitor José Vieira da Cruz visitou o prédio do Restaurante Universitário da Ufal de Arapiraca, na semana passada, dia 24, junto com um integrante da Sinfra e outra funcionária da Reitoria da Ufal.

“Nesse mesmo dia, olharam o prédio, viram os equipamentos jogados e recebendo chuvas, e falaram que a empresa que construiu o prédio está sendo processada. E que, mesmo não sendo essa empresa quem forneceu os equipamentos, seria responsabilizada por que os equipamentos estavam se danificando por culpa das infiltrações”, relatou o estudante, que é entusiasta de uma das chapas em campanha do Diretório Central dos Estudante (DCE).