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Causa e efeito

Federalização da Ceal foi iniciada por presidente de conselho da Equatorial Energia

Firmino Sampaio diz que socorreu Alagoas, antes de calote de R$ 200 milhões da União

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Firmino Sampaio Neto preside o Conselho Administrativo da Equatorial Energia. Foto: Reprodução Rede Globo

Ex-presidente nacional da Eletrobras na época em que a Companhia Energética de Alagoas (Ceal) foi federalizada e incorporada à holding estatal, Firmino Ferreira Sampaio Neto é presidente do Conselho de Administração da Equatorial Energia, que assumiu nesta segunda-feira (18) o controle da concessionária de distribuição de energia para os alagoanos. O baiano estava presente na coletiva realizada ontem, em Maceió (AL), e exaltou o fato de ter conduzido o processo de federalização, que resultou em uma companhia com dívida de R$ 1,8 bilhão, vendida pelo preço de um automóvel, R$ 50 mil, em leilão realizado em dezembro de 2018.

Firmino Sampaio não reconhece a legitimidade do pleito do Estado de Alagoas que cobra um calote da União estimado em cerca de R$ 200 milhões, resultante da negociação para a federalização não quitada. E disse não ficar constrangido, quando questionado pelo Diário do Poder se teria motivos para fazer uma autocrítica sobre a decisão de iniciar transferência da gestão da companhia do Estado para a União e se apresentar na posição que se encontra hoje, na relação entre causa e efeito.

Presidente do conselho de acionistas da nova controladora da Ceal, Firmino Sampaio disse ter orgulho do que fez ao ser convidado a intervir na estatal alagoana agora endividada. E disse não ter razão para constrangimento, porque ajudou o Estado de Alagoas a vencer a crise instalada na companhia a partir de 1997, quando o caos no serviço público e na estatal derrubou o então governador Divaldo Suruagy.

O presidente do Conselho da Equatorial lembrou do apelo pela salvação da Ceal, feito pelos então senadores Teotonio Vilela Filho, Guilherme Palmeira e Renan Calheiros. E disse que uma dívida trabalhista relativa aos efeitos do plano Bresser sobre a então estatal alagoana prejudicou seu desenvolvimento, assim como a falta sistemática de investimentos, o que levou a Ceal a acumular quase dois bilhões de reais em passivos.

“Fico tranquilo porque saí da Eletrobras logo no início de 2001. A negligência não foi minha. Cumpri meu papel. As questões que o governo levanta [sobre o calote de R$ 200 milhões] podem ser legítimas. Mas não sou eu quem vai julgar. A Eletrobras, ao invés de implementar melhorias, deixou os administradores competentes como o Adjar [Barbosa] e muitos outros que passaram aqui à míngua. É esse o processo”, respondeu Firmino Sampaio, à pergunta do Diário do Poder.

O discurso do ex-presidente da Eletrobras foi ratificado pelo último presidente da Eletrobras Alagoas, Adjar Barbosa, que usou a palavra no fim da coletiva e disse que a situação atual é resultado de “duas décadas de falta de investimentos”.

“Jamais retiramos qualquer centavo do estado, ao contrário, o tiramos de uma crise profunda, naquela ocasião. Fique tranquilo que vocês vão encontrar uma gestão competente. Mas ninguém aqui vai fazer milagre. Esperem muita dedicação para fazer o melhor para a sociedade alagoana”, concluiu Firmino Sampaio, ao elogiar o espírito público do ex-governador Suruagy e afirmar que o falecido gestor era seu amigo e fez dois grandes governos, antes de ser cassado em julho de 1997.

O calote da União em Alagoas diz respeito a uma parcela em torno de R$ 150 milhões, a preços de 1998, que o estado teria direito a receber, quando houve a federalização da empresa e a primeira tentativa frustrada de privatização, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Época em que as companhias energéticas dos estados do Piauí, Rondônia, Acre e Amazonas também foram incorporadas pela Eletrobras.