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Energia em Alagoas

Equatorial injeta meio bilhão na Ceal, que terá plano de demissões e tarifa mais alta

Aporte garantirá investimento na antiga Eletrobras Alagoas, que tinha R$ 7 mil em caixa

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Dirigentes da Equatorial Energia, em coletiva em Maceió. Foto: João Victor Souza/TNH1

A Equatorial Energia assumiu nesta segunda-feira (18) o controle da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), com a injeção de R$ 545,77 milhões no capital da antiga distribuidora de energia Eletrobras Alagoas, comprada pela bagatela de R$ 50 mil em leilão realizado em dezembro de 2018. Os novos dirigentes da empresa que possui R$ 1,8 bilhão em dívida anunciaram em entrevista coletiva que haverá um programa de demissões voluntárias (PDV) para quem quiser se desligar da empresa que tem folha com 1.214 trabalhadores. E revelaram que a Ceal tinha R$ 7 mil em caixa, em janeiro.

Na presença do presidente nacional da empresa, Augusto Miranda, que já controla a distribuição de energia no Pará, no Piauí e no Maranhão, o novo presidente da Equatorial Energia Alagoas, Humberto Soares, prometeu melhorar a qualidade dos serviços oferecidos aos alagoanos e participar do desenvolvimento do estado. Mas o novo gestor já admite a perspectiva de haver reajuste tarifário da conta de luz nos próximos 45 dias, em um percentual abaixo da inflação, ao ponderar que está não foi uma iniciativa da nova concessionária, mas um mecanismo previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para garantir o equilíbrio das concessões.

“Deve ficar dentro da normalidade, possivelmente abaixo da inflação, esse primeiro reajuste que acontecerá. Quanto aos colaboradores, acreditamos nas pessoas e valorizamos as pessoas. A gente já observou que tem muita gente boa querendo construir com a Equatorial. Mas há pessoas que talvez não estejam adequadas ao nosso modelo de gestão ou nem querem participar deste modelo. Para isso, deve acontecer o programa de demissão voluntária, que a gente vai estar divulgando as condições nos próximos dias. Com melhores condições, a gente espera poder ter um resultado melhor”, disse Humberto Soares.

O novo presidente da Ceal crê que, mesmo com o PDV, a força de trabalho da distribuidora de energia crescerá, com mais empregos oferecidos na empresa e nas terceirizadas que lhe prestam serviço, com as quais já foram abertas discussões para nova concorrência e novos contratos.

O Sindicato dos Urbanitários de Alagoas acredita que 700 trabalhadores devem aderir ao PDV. E a Equatorial prevê anunciar as condições do programa até o fim desta semana, de forma clara e transparente para os colaboradores.

Volta à normalidade

Mesmo sem especificar onde exatamente serão feitos os novos investimentos no sistema de distribuição de energia de Alagoas, o presidente nacional da Equatorial Energia, Augusto Miranda, disse que já há um mapeamento feito pela antiga gestão, que serão analisados junto às diretrizes de desenvolvimento traçadas pelo governo de Alagoas.

“Chegamos aqui no dia 2 de janeiro e fomos descobrir que havia R$ 7 mil em caixa para fazer investimento. Não é R$ 7 milhões, não; é R$ 7 mil. Na hora que um poste cai, um fio cai no chão, é impossível fazer. A empresa tem uns problemas estruturais. E esse aporte de R$ 546 milhões é para a empresa voltar à sua vida normal, para começar a pagar as despesas correntes. Haverá novos investimentos”, declarou Augusto Miranda.

A missão da Ceal é atender a cerca de 1,1 milhão de unidades consumidoras em Alagoas, na companhia que aumentou em R$ 210 milhões por ano o nível de endividamento médio, nos últimos cinco anos, segundo o Ministério de Minas e Energia.

Além de Humberto Soares e do presidente da Equatorial Energia, Augusto Miranda, o presidente do conselho da companhia, Firmino Sampaio, também participou da entrevista coletiva, com uma visão bem otimista sobre a nova fase da companhia, mas com os pés no chão. “Milagre não haverá!”, alertou.