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CIRURGIAS SUSPENSAS

Em Alagoas, emergência não operou por faltar roupa limpa

Fiscais também flagram medicamento vencido em UTI pediátrica de Arapiraca

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Roupas da Unidade de Emergência do Agreste são lavadas em Maceió (Foto: Divulgacão)

A Força Nacional de Fiscalização do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren/AL) flagraram diversas irregularidades em unidades de saúde pública e privadas de Arapiraca (AL). Desde segunda-feira (7), foram flagrados profissionais de enfermagem auxiliando cirurgias, inabilitados técnica e legalmente; hospital sem operar por falta de roupas limpas; medicamentos vencidos em UTI pediátrica e sobrecarga de trabalho.

Na Unidade de Emergência do Agreste Dr. Daniel Houly, administrada pelo governo de Renan Filho (MDB), foram notificadas 12 irregularidades. Entre elas, está a suspensão de realização de cirurgias, por falta de roupa limpa. A causa é a desorganização do serviço, que envia roupa suja para ser lavada em Maceió.

Nenhuma instituição em Arapiraca tinha enfermeiro responsável técnico (RT) pelo serviço de enfermagem. E, no Hospital Afra Barbosa, com 13 notificações, foram encontradas pessoas sem registro atuando na enfermagem. E, nos finais de semana, feriados e no período noturno, há somente um enfermeiro atuando em todo o hospital.

No Centro Hospitalar Manoel André, Hospital Chama, houve 12 notificações. Foi encontrado medicamento vencido na UTI pediátrica. Além de severo subdimensionamento profissional. “O défice de técnicos de Enfermagem é gritante”, afirma Michely Filete, chefe da Divisão de Fiscalização do Cofen.

Foram notificadas 7 irregularidades na Maternidade Nossa Senhora de Fátima, relativas à afronta à Lei 7498/86, que determina que o “acompanhamento da evolução e do trabalho de parto” e “execução do parto sem distocia” são prerrogativas do enfermeiro, profissional graduado.

“Essa situação, provocada pelo subdimensionamento, é gravíssima. Há profissionais de Enfermagem atuando até em atos cirúrgicos, o que coloca em risco a vida dos pacientes. A ausência de enfermeiros, especialmente no serviço noturno, também indica que técnicos e auxiliares estão acompanhando sozinhos partos normais na Maternidade Nossa Senhora de Fátima. É risco inadmissível para a mãe e o bebê”, alerta Michely Filete, ao comentar os flagrantes da fiscalização.

Procurada pelo Diário do Poder, para explicar a suspensão de cirurgias causadas pela ausência de roupas limpas, a Unidade de Emergência do Agreste emitiu o seguinte posicionamento, por meio de sua assessoria de imprensa: “O hospital funciona normalmente. Não procede a informação veiculada”.

A ação da Força Nacional denominada FNFI em Arapiraca integra a megaoperação solicitada pelo Coren-AL, parceiro da operação. As denúncias de irregularidades, especialmente na assistência materno-infantil, motivaram a operação, que vai fiscalizar 12 instituições de grande porte na capital e agreste alagoano.

Atuam em Alagoas 23.426 profissionais de Enfermagem, que prestam assistência a 3,38 milhões de pessoas. São 5.372 enfermeiros; 12.003 técnicos e 6.051 auxiliares de Enfermagem. (Com informações da Ascom do Cofen)