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'Reagir ou morrer'

Deputado elogia policiais por matar 11 acusados de formar ‘novo cangaço’ nordestino

Marx Beltrão e associações defendem policia alagoana contra acusados de assaltos

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Deputado federal Marx Beltrão e o cenário da Operação Cavalo de Troia. Fotos: Divulgação

O deputado federal reeleito Marx Beltrão (PSD-AL) manifestou hoje (10) nas redes sociais seu apoio aos policiais que participaram da Operação Cavalo de Troia, que abateu 11 acusados de assaltos a banco em uma suposta troca de tiros em Santana do Ipanema (AL), a Delegacia Geral da Polícia Civil de Alagoas, na última quinta-feira (8). Enquanto autoridades são questionadas pelo banho de sangue, o ex-ministro do Turismo deu parabéns aos policiais e justificou o uso da violência letal, quando a situação seria de revidar, ou morrer. Associações policiais também demonstraram apoio à ação.

Na mensagem publicada junto com um vídeo, Marx Beltrão diz que o Estado tem que apoiar a ação dos policiais, porque o combate à criminalidade teve uma resposta à altura, contra os investigados por assaltar e explodir bancos, usando armamentos de grosso calibre e utilizando a população como refém, como na última ação atribuída ao grupo, na agência do Banco Bradesco de Águas Belas, no Sertão de Pernambuco, na véspera da operação.

“Esses bandidos notórios, fortemente armados com fuzis e explosivos, não estavam dispostos a se entregar. Numa situação extrema assim não cabe alternativa pacífica ou diálogo. Os policiais alagoanos ficaram numa situação de revidar ou morrer no pleno exercício do trabalho. Não é um episódio a ser comemorado, é lamentável que tenha ocorrido. Mas eu tenho lado. E o meu lado é o das pessoas que trabalham por uma Alagoas melhor e mais segura para nossa população. Parabéns aos policiais!”, escreveu Marx Beltrão.

A Seccional Alagoana da Ordem dos Policiais do Brasil (OPB/AL) aprovou ontem (9) a concessão da Medalha de Honra ao Mérito Policial aos integrantes da Operação Cavalo de Troia, por considerar que assaltantes de bancos constituem uma das modalidades mais perigosas atuando na região Nordeste contra a paz social. A entrega da honraria está marcada para o dia 22 deste mês.

A Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol/AL) emitiu nota afirmando que os policiais e delegados tiveram atuação firme contra acusados de ações que passaram a ficar conhecidas como “novo cangaço”.

Assista à manifestação do parlamentar:

Esses bandidos notórios, fortemente armados com fuzis e explosivos, não estavam dispostos a se entregar. Numa situação extrema assim não cabe alternativa pacífica ou diálogo. Os policiais alagoanos ficaram numa situação de revidar ou morrer no pleno exercício do trabalho. Não é um episódio a ser comemorado, é lamentável que tenha ocorrido. Mas eu tenho lado. E o meu lado é o das pessoas que trabalham por uma Alagoas melhor e mais segura para nossa população. Parabéns aos políciais!#Marxtrabalha #DeputadoDoPovo #TopadocomMarx #TouComAPolícia #SegurançaPública

Posted by Marx Beltrão on Saturday, November 10, 2018

 

Operação questionada

Os delegados que coordenaram a operação deflagrada pela Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC), Fábio Costa, Cayo Rodrigues e Thiago Prado, expuseram explosivos, fuzis, espingardas, pistola, colete, balaclavas e R$ 117 mil em dinheiro que teriam sido encontrados no local onde os suspeitos foram mortos. E Fábio Costa explicou que os acusados de assalto reagiram ao perceber o cerco policial e à voz de prisão.

O deputado federal Paulão (PT-AL) chamou o caso de “chacina de Santana do Ipanema” e reforçou o apelo da Comissão de Direitos Humanos da Seccional Alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) às autoridades por detalhes sobre a ação, que chamou a atenção pela divulgação de imagens dos 11 corpos deitados no chão, à entrada da casa onde foram surpreendidos pelo cerco policial, bem como amontoados na carroceria de uma camionete, em um suposto socorro aos feridos, levados ao hospital do município.

Além disso, o Instituto de Criminalística não foi acionado pela Polícia Civil para enviar peritos criminais ao local dos tiros. E todos os corpos foram recolhidos pelo Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca (AL), no Hospital Regional de Santana do Ipanema.

A Delegacia Geral da Polícia Civil de Alagoas divulgou que nomeou uma comissão de delegados para apurar a ocorrência. E o Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL) disse que vai esperar a conclusão do inquérito para atuar no controle da atividade policial.

Leia a íntegra da nota da Adepol:

A ADEPOL/AL- Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas vem a público se colocar ao lado e apoiar publicamente os competentes delegados de polícia civil Fábio Costa, Thiago Prado e Cayo Rodrigues que comandaram as ações ocorridas no dia 8/11/2018 na Zona Rural do Município de Santana do Ipanema, Al., onde os policiais civis da Divisão de Investigação e Capturas do Estado de Alagoas – DEIC/PCAL, sob a coordenação destes, em cumprimento aos atos necessários da operação da polícia civil denominada Cavalo de Troia, desbarataram e reagiram a injusta agressão perpetrada por bandidos componentes de uma organização criminosa pertencente ao que passou-se a denominar de “novo cangaço”.

Os policiais civis e os delegados de polícia civil agiram em defesa da lei e da sociedade, no estrito cumprimento do dever legal e em defesa também da preservação das suas próprias vidas, uma vez que foram, como esclareceram, recebidos pelos criminosos a tiros e com armamento de grosso calibre, não tendo ocorrido excessos, o que com certeza será constatado pelos órgãos de investigação já acionados como determina a lei, para que haja sempre transparência nas ações policiais.

O Estado e a Sociedade não podem ser reféns de organizações criminosas como esta, devendo sempre as polícias agirem dentro da legalidade com a autoridade que sua obrigação constitucional lhes impõe.

Ressalta-se por fim que os três delegados acima mencionados são profissionais de reconhecida capacidade, seriedade e profissionalismo, contando com vários anos de experiência na atividade policial e  não lhes recaindo nenhuma mancha no desempenho de suas funções. 

A ADEPOL/AL está atenta e agirá sempre em defesa das prerrogativas e direitos dos delegados de polícia civil do Estado de Alagoas e da sociedade alagoana”