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Recado com ameaça

Deputado diz que sua namorada foi raptada e estuprada por prefeito alagoano

Namorada de Dudu Hollanda negou ter sido vítima de crime, ao ser recebida pelo chefe do MP

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Prefeito de Maribondo Leopoldo Pedrosa e deputado Dudu Hollanda. Fotos: Facebook e Ascom ALE

O deputado estadual Dudu Hollanda, do PSD de Alagoas, denunciou nas redes sociais que sua namorada teria sido sequestrada, agredida e até estuprada pelo seu ex-marido, o prefeito de Maribondo (AL), Leopoldo Pedrosa (PRB), durante o último fim de semana. O parlamentar disse ainda que o prefeito teria lhe mandado um recado com ameaça de morte. E rebateu dizendo que daria “uma botada” no rival, caso as autoridades não agissem.

Mas depois de receber o casal em seu gabinete, o chefe do Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL), Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, conversou reservadamente com a namorada do deputado, e ouviu seu relato negando ter sido sequestrada ou vítima de violência. “Ela não confirmou a ocorrência, falou que não ocorreu crime contra ela. Apenas relatou muito serenamente que saiu por conta própria”, disse o procurador-geral de Justiça, ao Diário do Poder, ao responder que a mulher não lhe mostrou ferimentos, nem quis ser submetida a exame.

O prefeito Leopoldo Pedrosa é réu em duas ações na Justiça de Alagoas, e passou quatro meses preso, no ano passado, pela acusação de espancar sua ex-esposa e sua ex-sogra. Ele cumpre medida que restringe sua aproximação da ex-mulher e usa tornozeleira eletrônica. Ambos, que têm dois filhos, não foram localizados pela reportagem, nem se manifestaram sobre a denúncia do deputado.

Mesmo utilizando um tom mais sóbrio do que o usado nos áudios que enviou nas redes sociais, o deputado Dudu Hollanda relatou ao Diário do Poder que após passar mais de 48h incomunicável, a mulher teria reaparecido em casa, na manhã da segunda-feira (6), e relatado à sua irmã que havia sido sequestrada por dois homens encapuzados, na sexta-feira (3), no Stella Maris, onde ela mora, na área nobre de Maceió (AL). 

Ao destacar que o botão de pânico que a namorada usa para acionar as autoridades estaria com defeito, Dudu Hollanda disse que reencontrou a namorada “como se fosse uma mendiga”, tremendo, com frio, e dizendo ter passado três dias sem comer e sem beber água; com hematomas no braço, no rosto, no queixo, e com parte do cabelo arrancado. As autoridades foram acionadas e a namorada do deputado teria pedido para ser ouvida pelo chefe do MP, sem saber onde ficaria o cativeiro, porque sua cabeça seria sido coberta com um pano.

“Ela não sabe quem foram os caras [que a sequestraram]. Ela só viu o prefeito, o Leopoldo. Ele foi lá, deu pressão nela, ameaçou ela, ameaçou a família e mandou um recado para mim. Que eu não fosse na cidade dele não, que as consequências daqui para frente não saberia. Isso aí é uma ameaça. O que ela disse ao doutor Alfredo, não ouvi. Estou fazendo meu papel de namorado, mas de ser humano, de homem. A polícia estava agindo de forma lenta, o MP também, porque são cautelosos, aí tive que me antecipar provocando a imprensa”, disse Dudu Hollanda.

Ameaça ao deputado

O deputado disse ter relatado o caso ao governador Renan Filho (MDB), que o pediu para agir dentro da lei. E Dudu Hollanda disse que registraria ocorrência policial da ameaça que afirma ter sofrido.

“Ela disse à irmã: ‘Avise ao Eduardo que se afaste de mim, que ele disse que não fosse sequer na cidade dele. Que as consequências viriam para ele’. E não tenho medo. Nasci cabra macho, não abro nunca”, concluiu o deputado, em entrevista ao Diário do Poder.

Nos áudios divulgados por Dudu Hollanda nas redes sociais, ele acusou Leopoldo Pedrosa de outros crimes, como um homicídio de um corretor de imóveis e roubo de gado em Maribondo. “Ele humilhou a menina, acabou com a menina e mandou recado para mim: ‘Diga ao seu deputado que não vá na minha cidade, não, que eu vou matá-lo’. Daqui para sexta-feira, se o Estado não agir, eu subo a serra. Vou dar uma botada lá dentro que nunca Maribondo viu”, disse o deputado, em áudio que viralizou no aplicativo do WhatsApp.

Apesar da exposição feita pelo deputado, a reportagem preservou a imagem e o nome da suposta vítima da violência. E não conseguiu contato com ela e seus familiares.

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