Absurdo no HGE

MP investiga amputação de perna de idosa que fraturou pé, em Alagoas

Paciente de 73 anos iria corrigir fratura no tornozelo e teve perna amputada na altura da coxa

acessibilidade:
Em maio de 2020, pacientes viveram cenário de guerra na pandemia de covid-19, no Hospital Geral do Estado de Alagoas. Foto: Divulgação/Arquivo

O caso da idosa de 73 anos que teve a perna amputada ao ser operada para corrigir uma fratura no tornozelo será investigado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A iniciativa da promotora de Justiça Louise Teixeira de instaurar notícia de fato foi comunicada nesta segunda-feira (24), três dias após o erro médico cometido no caótico Hospital Geral do Estado (HGE), administrado em Maceió por gestores nomeados pelo governador Paulo Dantas (MDB), afilhado político dos senadores alagoanos Renan Calheiros e Renan Filho.

“O caso será encaminhado também para a coordenação das Promotorias Criminais e para o Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal). Também será enviado ofício para o HGE e para o Estado solicitando informações sobre as providências que já fora e serão tomadas”, comunicou a assessoria de imprensa do MP de Alagoas.

A idosa identificada como Maria José foi internada na quarta-feira (19), para se submeter a uma cirurgia de pequeno porte, após ter seu pé imprensado por um carro, no percurso entre sua casa e uma padaria. Socorrida pelo motorista, a idosa foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro dos Martins, onde passou por exame de raio-x e foi orientada a seguir para o HGE e realizar a cirurgia para corrigir a fratura no tornozelo.

Erro absurdo

Sua irmã, Maria Aparecida, relatou ao G1 que a família estava ciente de que Maria José faria uma minicirurgia no pé. E afirma que a idosa sequer estava sentindo dor. Ela descreveu a irmã como uma pessoa ativa, independente e que ia sozinha à feira livre, aos domingos, e morava sozinha.

“A gente queria que ela viesse morar na mesma rua que eu e os outros irmãos. Mas ela preferia ficar na casinha dela. Nossos irmãos são muito unidos. A família depende de hospitais públicos. Como confiar? Somos em 7 irmãos a maioria todos idosos. Minhas irmãs não param de chorar”, disse Maria Aparecida, ao G1.

O sobrinho da vítima, jornalista Márcio Anastácio, evitou condenar o serviço público, pois toda sua família é usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). “Mas queremos saber o que está acontecendo no HGE para que um erro tão absurdo tenha acontecido e queremos a responsabilização dos culpados”, disse Anastácio, ao relatar ao G1 que sua família avalia medidas jurídicas.

Apuração interna

Em nota, a direção do HGE informou ter afastado toda equipe médica envolvida, para apuração rigorosa do fato, em sindicância aberta para apurar as circunstâncias que levaram ao erro médico na cirurgia que causou a amputação da perna da paciente.

E pasta da Saúde do governo de Paulo Dantas disse que “lamenta profundamente o ocorrido e informa que já está prestando toda a assistência necessária à paciente e à família”.

 

Reportar Erro