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Seria interditado

Bombeiros notificam Aeroporto de Maceió, por falta de segurança

Coronel impede vistoria, após 3 anos sem licença dos Bombeiros

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Última notificação apontava riscos em 2015 (Foto: Skyscrapercity)

Em mais uma iniciativa da operação padrão de policiais e bombeiros militares em busca de reajuste salarial, o Corpo de Bombeiros de Alagoas fiscalizou e notificou a Infraero, na última quarta-feira (25), por manter o Aeroporto Zumbi dos Palmares funcionando sem itens de segurança exigidos por lei, desde 2015. Uma segunda vistoria, que poderia resultar na interdição do equipamento, foi interrompida na manhã desta sexta-feira (27), pelo comandante-geral coronel Adriano Amaral, após ter sido alertado pela Infraero.

As irregularidades registradas na notificação do Corpo de Bombeiros colocam em risco usuários e trabalhadores, no aeroporto que é a porta de entrada e saída da cidade de Maceió (AL), eleita neste mês de abril como o melhor destino turístico do Brasil. Mas o comandante dos Bombeiros justificou que interrompeu a fiscalização de hoje, para impedir que o movimento influenciasse a questão técnica.

Segundo a tenente-coronel Camila Paiva, comandante do Grupamento de Incêndio do Corpo de Bombeiros, entre as irregularidades estão o fato de o aeroporto possuir escada de emergência e alguns corrimãos em desacordo com a norma NBR 9077; não possuir Projeto de Segurança Contra Incêndio e Pânico; nem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), o que resulta na falta de certificação do Corpo de Bombeiros para funcionar.

“Tal situação traz grandes riscos à segurança dos seus usuários, como também é extremamente  prejudicial à imagem do nosso estado que tem como uma das principais atividades econômicas, o turismo”, explicou a tenente-coronel Camila Paiva, ao Diário do Poder.

‘SEM NECESSIDADE’

Notificação expõe ausência de certificação dos BombeirosO coronel Adriano Ramos destacou que a Infraero tem até um ano para solucionar as pendências, ao considerar desnecessária a segunda fiscalização desta sexta-feira. Mas admitiu pendências no projeto de segurança, essencial para preservar os usuários e trabalhadores de riscos.

“Foi feita a fiscalização quarta-feira de rotina. Porque eles estão com o projeto deles, resolvendo algumas pendências. Isso faz parte e é normal no processo. E não tinha necessidade de terem ido hoje. Porque a gente não pode ligar o movimento com essa questão técnica. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. As negociações estão sendo feitas, nessa questão do reajuste. E não faz sentido. Como vai na quarta, que eu nem sabia, e hoje vai também?”, questionou o comandante dos Bombeiros, ao Diário do Poder.

Ao confirmar que determinou a interrupção do trabalho dos bombeiros, após ser alertado pela Infraero, o coronel Adriano ressaltou a parceria com a administradora do Aeroporto Zumbi dos Palmares.

“Somos parceiros da Infraero. Temos nosso pessoal lá. Não tinha necessidade dessa ida do pessoal nosso.E a equipe técnica deles está resolvendo a questão do projeto deles, que não é de um dia para o outro. Estão tratando com nossa equipe técnica e não me envolvo nessas coisas. Eles têm direito até de um ano para resolver o projeto, segundo a lei. Não somos caça às bruxas. Nossa política é também de contribuir para resolver. Porque, resolvendo, é melhor para todo mundo”, afirmou o coronel Adriano.

Diário do Poder apurou que a última notificação formal do Corpo de Bombeiros ao Aeroporto Zumbi dos Palmares data de 2015, a partir de quando a Infraero teria prazo legal de um ano para solucionar as pendências. Em 2016, quando venceu este prazo, foi feita uma reforma, o que ampliaria este prazo por mais um ano, até 2017.

A reportagem apurou que a Infraero chegou a apresentar um projeto ao Corpo de Bombeiros, que já não condiz com a realidade do Aeroporto Zumbi dos Palmares, devido às mudanças realizadas, desde 2016.

ATUALIZAÇÃO PENDENTE

A Infraero foi questionada pelo Diário do Poder sobre o motivo de se manter a situação irregular desde 2015, como afirma o Corpo de Bombeiros. E também quis saber qual providência está sendo tomada para garantir a segurança de usuários e trabalhadores. A resposta foi a seguinte:

A Infraero esclarece que o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBM/AL) realizou uma vistoria no Aeroporto Internacional de Maceió/Zumbi dos Palmares (AL) para a emissão do Certificado de Aprovação, onde foram condicionadas algumas exigências, as quais a Infraero já realizou. Desta forma, ao longo do mês de maio, a empresa atualizará a documentação junto ao CBM/AL para a consequente emissão do certificado de aprovação pela referida instituição.

Vale lembrar que em 2016 a Infraero apresentou ao CBM/AL justificativas sobre o atendimento das condicionantes impostas na notificação, e, no entanto, até a presente data, não obteve resposta da referida instituição. Nessas justificativas, a Infraero, inclusive corroborou a necessidade de contratação de obras e serviços de engenharia para realização das adequações. Assim, essas obras foram executadas por meio de processo licitatório, sendo concluídas em 28 de março deste ano. 

Por fim, a Infraero destaca que todos os preventivos do Aeroporto de Maceió estão em perfeito funcionamento; além disso, o terminal dispõe de um Serviços de Prevenção, Salvamento e Combate a Incêndio (SESCINC) composto com efetivo de bombeiros militares disponíveis 24h por dia com todos os equipamentos necessários. 

Atenciosamente,    

Assessoria de Imprensa – Infraero

MOBILIZAÇÃO

O Movimento Unificado de policiais e bombeiros militares já reuniu cerca de três mil manifestantes em duas assembleias realizadas à porta da sede do Executivo Estadual. E ainda negocia com o governo de Renan Filho (MDB) a proposta de reajuste salarial, que deve ficar em 12%.

Três mil rejeitaram proposta (Foto: Rafael Maynart/Gazetaweb)As tropas iniciaram as negociações cobrando 10,67% de reposição de perdas salariais com a inflação medida pelo IPCA, em 2015, mais 2,95% de 2017, o que somaria 13,62%, para serem repostos e aplicados ainda esse ano. Mas radicalizou com ameaça de aquartelamento, após o governo sinalizar com apenas 3,8%, no início deste mês; percentual que passou para 6% e 10%, divididos em quatro vezes, sendo 4% em 2019 e 2% nos três anos seguintes. E passou a exigir reajuste de 29%, concedido aos delegados da Polícia Civil.

A radicalização das tropas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado de Alagoas foi tratada como um risco ao ajuste fiscal do Estado, pelo secretário da Fazenda, George Santoro, que afirmou que “o Estado quebra”, se avançar além do percentual de 10% de “ganho real” parcelados em quatro anos, que garantiria a policiais e bombeiros um aumento de 33% até 2022. Mas o movimento unificado dos policiais e bombeiros tratou como “falácia” as projeções feitas pelo titular da Sefaz.