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Posse de reeleito

Alfredo Gaspar rejeita vaidade e impulsividade, ao chefiar MPAL com 99% dos votos

Procurador que disputaria o Senado prega que o Poder Público conquiste respeitabilidade da sociedade

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Alfredo Gaspar de Mendonça Neto chefia o MP de Alagoas. Foto: Márcio Ferreira/Agência Alagoas/Arquivo

Reconduzido ao cargo com 99,37% dos votos dos seus pares após tentar e não conseguir viabilizar sua candidatura a senador em 2018, o procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, negou a posição de liderança que exerce na luta por mudanças sociais e disse querer afastar a vaidade e impulsividade de sua missão institucional, ao tomar posse como chefe do Ministério Público Estadual de Alagoas (MPAL), na última sexta-feira (11), durante sessão solene realizada no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso.

Alfredo Gaspar afirmou que no momento muito difícil por que passa o Brasil o Poder Público precisa conquistar respeitabilidade da sociedade. Para o chefe do MPAL que teve seu filho nomeado pelo governador Renan Filho (MDB) para comandar uma autarquia estadual, “as instituições precisam se fazer respeitadas, mostrando a sociedade que são sérias e prestam um serviço de qualidade”.

“Trabalhamos muito nesses dois anos. Mas quero dizer que ainda falta fazermos bem mais. Por isso, quero sair de casa todos os dias deixando a vaidade da gaveta, com o coração sem desejar mal a ninguém e com o desejo de trazer felicidade para o povo do meu estado. O Alfredo impulsivo e que tantas vezes errou, faço questão de colocar bem longe da instituição. O que quero mesmo é ver o Ministério Público prestando um serviço de qualidade à sociedade e transformando vidas”, disse Alfredo Gaspar, em seu discurso.

O procurador-geral de Justiça destacou mais de 500 ações de improbidade administrativa ajuizadas e mais de 300 mil processos que tiveram manifestações dos 178 promotores de Justiça no ano eleitoral. E também citou a parceria com o Governo do Estado e com as prefeituras para encerrar todos os lixões de Alagoas; o projeto para implantar 100% dos portais de transparência dos legislativos dos 102 municípios alagoanos; e a criação das casas de acolhimento.

“Eu não sou liderança nenhuma. Sei das minhas limitações e tenho consciência que, sem Deus e sem cada um de vocês, eu não teria chegado a lugar nenhum. Sou apenas um soldado em um exército de generais que trabalhou ao lado de homens e mulheres que lutam por mudanças sociais”, disse Alfredo Gaspar.

Na ocasião, também foram empossados o novo corregedor-geral Geraldo Magela Pirauá e o novo ouvidor do MPAL Lean Ferreira de Araújo. Bem como o subprocurador-geral administrativo institucional, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, e o subprocurador-geral judicial, Sérgio Jucá, que compuseram a administração superior do MPAL no primeiro mandato de Alfredo Gaspar.

Participaram da solenidade o presidente da Associação do Ministério Público do Estado de Alagoas (Ampal), promotor de justiça Flávio Gomes; o governador de Alagoas Renan Filho (MDB); o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Tutmés Airan; o coordenador-geral da Corregedoria Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Rinaldo Reis; o representante do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça dos Estados e da União, procurador-geral de justiça do Maranhão, Luiz Gonzaga Martins Coelho; e o deputado estadual e candidato único a presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Vitor (SD-AL).

O desembargador Tutmés Airan reiterou o papel do MP e a relevância da harmonia com o Judiciário. “É a instituição responsável por fiscalizar a aplicação da lei e tem feito isso com muito destaque. Viemos estreitar cada vez mais esses laços. Vamos continuar construindo pontes”, disse o presidente.

Filho no governo

O governador Renan Filho nomeou o jovem advogado Carlos Alberto Pinheiro de Mendonça Neto como presidente da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal). O filho do chefe do MP é pré-candidato a prefeito de Quebrangulo (AL) e a classe política vê a escolha do governador como uma tentativa de ter o procurador-geral de Justiça como seu aliado político, bem como de demonstrar proximidade com o poder fiscalizador de seu governo, a fim de legitimar suas ações.

O chefe do MP afirma que a nomeação de seu filho para a autarquia não passou pelo seu crivo. “Antes de ser procurador-geral de Justiça, fui secretário de segurança do governo atual, e isso em nada alterou minha independência. A Instituição Ministério Público Estadual tem feito um grande trabalho de combate à corrupção e de transformação social, e cada vez mais, apertará esse cerco. O chefe do MP não tem aliados ou inimigos. As condutas e os fatos produzidos pelas pessoas é que norteiam nossa atuação”, disse Alfredo Gaspar ao, ao ser questionado pelo Diário do Poder sobre o viés político da nomeação. (Com informações da Ascom do MPAL e da Dicom TJAL)