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Não controlada

Agência mantém barragem da Vale em Mariana em nível 2 de emergência

ANM fez vistoria técnica para analisar risco de rompimento

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Barragem Xingu, na mina Alegria, em Mariana (MG), operada pela Vale. Foto: Google

Após vistoria técnica, a Agência Nacional de Mineração (ANM) decidiu manter a barragem Xingu, localizada na mina Alegria, em Mariana (MG) e operada pela Vale, em nível de 2 de emergência. Com isso, a estrutura permanece na mesma situação decretada em setembro o ano passado.

A fiscalização foi feita ontem após pedido da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Mariana, para verificar se há risco de rompimento.

A classificação de nível 2 ocorre quando a barragem tem uma anomalia classificada como “não controlada” ou “não extinta”, necessitando de novas inspeções. O nível 3 é decretado quando há o risco de “ruptura iminente ou que está ocorrendo”.

De acordo com o chefe da Divisão de Segurança de Barragens de Mineração da ANM, em Minas Gerais, Claudinei Cruz, a inspeção realizada pelos técnicos da agência reguladora não constatou alterações na estrutura da barragem, o que levou à decisão de manter o nível 2.

“Fizemos vistoria em campo e uma reunião interna com a empresa, onde ela apresentou toda a documentação da barragem. Foi verificado que o status da barragem não teve muita modificação em relação a setembro do ano passado, quando estivemos aqui. Portanto, não houve mudanças nos parâmetros da barragem e, assim, ela continua no nível 2 emergência”, afirmou Cruz.

Interditada pela ANM desde março de 2020, a barragem do Xingu não recebe rejeitos de minério de ferro há mais de 20 anos. Entretanto, alguns trabalhadores ainda executavam atividades no local.

No dia 4 de junho, a mineradora paralisou a operação de trens que circulam em um dos ramais da Estrada de Ferro Vitória a Minas. A medida foi adotada em atendimento à decisão do Ministério da Economia, através da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG), que determinou a interdição de atividades em áreas próximas à barragem Xingu.

Os fiscais da superintendência afirmaram “grave e iminente risco de ruptura por liquefação” da barragem. Um desastre de tal magnitude, segundo a superintendência, poderia causar um soterramento de trabalhadores na cidade já castigada por um rompimento de barragem da Samarco em 2015, com a morte de 19 pessoas.

Em nota, a Vale reiterou que não houve alterações nas condições ou nível de segurança da barragem e afirmou que não existe risco iminente de ruptura da barragem de Xingu. A empresa disse ainda que suspendeu o acesso de trabalhadores e a circulação de veículos na zona da inundação da barragem Xingu, sendo permitidos apenas acessos imprescindíveis para estabilização da estrutura, com rigoroso protocolo de segurança.

“A barragem Xingu é monitorada e inspecionada continuamente por equipe técnica especializada e está incluída no plano de descaracterização de barragens da companhia. A Zona de Autossalvamento (ZAS) da Barragem Xingu permanece evacuada”, disse a empresa, em nota publicada na última quinta-feira (10).

A Vale também disse que “em conformidade com o termo de interdição da Superintendência Regional do Trabalho”, está adotando medidas para continuar a garantir a segurança dos trabalhadores, de modo a permitir a retomada das atividades. (Agência Brasil)