Eleições pós-Brexit

Lucas Neves

Eleições para as 751 vagas no parlamento europeu revela perigos para o projeto de integração após o Brexit
19/05/2019

Eleições na União Europeia testam a vitalidade do bloco

Eleições pós-Brexit

Eleições na União Europeia testam a vitalidade do bloco

Eleições para as 751 vagas no parlamento europeu revela perigos para o projeto de integração após o Brexit

Quando cerca de 200 milhões de pessoas forem às urnas nos 28 países-membros da União Europeia (UE) nos próximos dias, não estarão em jogo apenas as 751 cadeiras da legislatura que inicia seus trabalhos no Parlamento continental em julho, entre Bruxelas e Estrasburgo. No fundo, os participantes do segundo maior pleito do mundo (só perdendo para o da Índia) vão mesmo se pronunciar sobre a vitalidade (ou o anacronismo) da cartilha de valores que há décadas pauta o bloco. A quantas andam a defesa da democracia e dos direitos humanos, a promoção da justiça social e o engajamento pelo desenvolvimento sustentável? A consulta coincide com o acirramento da animosidade entre duas alas de líderes: a que se pretende progressista e pan-europeia, liderada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pela chanceler alemã, Angela Merkel; e a nacional-populista, encarnada pela trinca Viktor Orbán (Hungria), Matteo Salvini (Itália) e Marine Le Pen (França). Impulsionado por bons desempenhos de siglas ultraconservadoras em toda a Europa, o segundo grupo busca ganhar peso para pôr fim à placidez reinante no Parlamento, onde o Partido Popular Europeu (PPE; centro-direita, 217 assentos) e uma aliança de legendas social-democratas (centro-esquerda, 186), as duas principais forças, dão as cartas. “Vai ser um plebiscito sobre concepções de vida política”, diz o cientista político Olivier Costa, professor do Collège d’Europe, em Bruges. “O que está em questão é se o homem providencial, o chefe cheio de músculos e de amigos nas finanças e na mídia pode se sair melhor do que um presidente democraticamente eleito e sustentado por uma maioria parlamentar.” Para o pesquisador, a novidade em relação à eleição passada, em 2014, é o grau de articulação dos radicais. “Existe uma Internacional Populista com um projeto claro: atacar a integração europeia e a democracia liberal, contrapondo a elas noções tradicionalistas como família, pátria, ordem e cristandade.” Não se trata mais de pôr abaixo a UE mas, antes, de enfraquecê-la (ou desvirtuá-la) por dentro. A ordem é se apoderar de suas instituições. “Nunca na história da construção europeia tivemos uma configuração tão hostil à UE”, sustenta Costa. “Sempre houve eurocéticos, mas hoje se somam a eles violações ao Estado de Direito em países como Hungria e Polônia. Vivemos uma regressão democrática.” Apesar do alerta do professor, o que pesquisas de intenção de voto mostram é que os radicais deverão ter cacife para se fazer ouvir, mas não para assumir as rédeas do Parlamento e impor sua agenda. Ainda assim, insiste o analista, é forçoso notar a erosão do binômio hegemônico de PPE e social-democracia, que tinha 70% da preferência três eleições atrás e agora periga não passar dos 50%. E os estragos que a maré populista pode fazer em nível nacional, mesmo se tratando de um pleito europeu, tampouco são negligenciáveis. Macron, por exemplo, sofreria um duro golpe se sua República em Marcha chegasse atrás da Reunião Nacional de Le Pen, como indicam as últimas sondagens. No Reino Unido, o Partido Conservador (governo) surge em quinto lugar, o que, se confirmado no dia 23, certamente irá precipitar a queda da primeira-ministra, Theresa May, já às voltas com o impasse sobre o formato do brexit, a retirada britânica da UE. O adeus de Londres, aliás, é uma nuvem que paira sobre essa eleição. Quase três anos depois do plebiscito em que escolheram se desligar do bloco, os britânicos são convocados às urnas para apontar representantes… europeus. Depois de dois adiamentos, a nova data-limite para o divórcio é 31 de outubro. “O brexit desempenha papel ambivalente”, avalia Costa. “Por um lado, apaziguou ardores de eurocéticos, que descobriram que deixar a UE não era simples. Por outro, criou desconfiança em relação à futura bancada britânica, cuja única tarefa talvez vá ser sabotar o Parlamento [enquanto o Reino Unido não sai].” A economia é outro foco de angústia na Europa, ainda que não apareça na linha de frente do debate eleitoral “”o vice-premiê italiano Salvini, por exemplo, prefere praguejar contra imigrantes a tentar sanar as contas públicas de seu país. O PIB da zona do euro (19 dos 28 países) deverá crescer apenas 1,2% neste ano, contra 2,4% em 2017 e 1,9% em 2018. A Alemanha, locomotiva do bloco, só deve avançar 0,8% em 2019, segundo o FMI. A mesa está posta para discursos messiânicos e salvadores da pátria. (Folhapress)
18/05/2019

Reação tranquila

Reação tranquila

A reação do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) à notícia da denúncia do Ministério Público impressionou os assessores: “Acabou a espera. Qual próximo passo?”. E passou a planejar a semana.
16/05/2019

TRF-4 rejeita último recurso e manda Dirceu voltar para a prisão

De volta à prisão

TRF-4 rejeita último recurso e manda Dirceu voltar para a prisão

Por unanimidade, TRF-4 manteve pena de 8 anos e 10 meses

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu, por unanimidade, que o ex-ministro petista José Dirceu deve voltar para a prisão. Dirceu foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva ao receber R$ 2,1 milhões em propina da empresa Apolo Tubulars para garantir contratos com a Petrobras entre 2009 e 2012. Segundo a defesa, o crime estaria prescrito, pois Dirceu já havia completado 70 anos quando foi condenado em primeira instância, mas o TRF-4 o sentenciou a 8 anos e 10 meses de prisão e expediu ofício para início imediato do cumprimento da pena. O mandado de prisão deve ser expedido pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Luiz Antonio Bonat. O caso de Dirceu é similar ao do ex-chefe Lula, que foi preso após condenação definitiva no mesmo TRF-4. A defesa ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
16/05/2019

EUA suspendem voos de passageiros e carga para a Venezuela

Exclusão aérea

EUA suspendem voos de passageiros e carga para a Venezuela

Ação foi tomada como medida de segurança devido à situação considerada de calamidade

Os Estados Unidos decidiu suspender todo o transporte aéreo para a Venezuela devido à preocupação com a segurança. A ação inclui não apenas voos de passageiros, mas transporte de carga. De acordo com o jornal The New York Times, o Departamento de Segurança optou pela suspensão porque a crise política no país sulamericano ameaça a segurança de passageiros, tripulação e aeronaves. Há preocupação geral sobre como a ajuda humanitária chegará ao país, principalmente as doações de parentes de venezuelanos que moram nos Estados Unidos. Atualmente, muitos dependem desse auxílio para sobreviver devido à falta de empregos, ao colapso na economia e à hiper inflação. Além de mantimentos, muitos venezuelanos dependem dos voos vindos de Miami para receber remédios e peças de máquinas para continuar trabalhando. “Isso será uma catástrofe para muita gente”, disse Feliciano Reyna, chefe da organização sem fins lucrativos Acción Solidaria, que recebe doações de remédios dos EUA por transporte aéreo. “Isso vai complicar enromemente o transporte de ajuda humanitária para o país”, concluiu. Reyna explica que trocar o transporte aéreo de remédio pelo marítimo ou importar de outros países vai aumentar os custos e dificultar o atendimento de emergências pela Acción Solidaria. A suspensão começa em meio ao aumento das sanções impostas pelo governo do presidente Donald Trump contra o ditador Nicolás Maduro com o objetivo de forçá-lo a deixar o poder.