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Promovido com orgulho

O destemido jornalista Paulo Silveira, ex-Última Hora, era diretor-geral da Assembléia Legislativa do Rio quando, em Brasília, Ernesto Geisel demitia o ministro do Exército, Sílvio Frota. O general saiu atirando, num manifesto em que dizia estar o governo “infestado de comunistas”. Naquele dia, Paulo recebeu uma ligação do irmão Joel Silveira, outro patrimônio da imprensa brasileira:

- Aí, hein, foi promovido!

- Promovido a quê?

- À História. Você está na lista do Silvio Frota como “subversivo”.

Homem de visão

Penalizado com o ostracismo e admirador do estilo do ex-presidente, o jornalista Boris Casoy marcou uma visita pelo telefone, quando Jânio avisou que estava “cego”. Ao chegar, viu Jânio numa cadeira falar alto:

- Viva o jornalista Casoy!

Estranhou tal precisão, mas logo Jânio explicou:

- Não enxergo, mas vejo sombras, e a sua é inconfundível!

De olho no imponderável

Uma das mais célebres raposas políticas do País, Amaral Peixoto acertou com o então ministro da Justiça, Petrônio Portela, sua adesão ao PDS, que apoiava a ditadura. Conversou três horas com Petrônio e viajou de volta ao Estado. No desembarque, os jornalistas tentaram confirmar sua adesão.

- Ainda não está certo, falta o aval do presidente.

- Mas o Sr. conversou três horas com o ministro!... – observou um repórter.

- Ora, meu filho, isso não basta. E se o ministro morrer?

Petrônio Portela morreria uma semana depois.

Haveria a quem pedir?

Graciliano Ramos e Otto Maria Carpeaux eram companheiros de copo e de cruz, na redação do bravo Correio da Manhã, e no bar do Hotel Marialva – onde sempre terminavam o dia curtindo um interminável pessimismo. Certa vez, Carpeaux se espantou com o valor da conta:

- Como as coisas estão, intelectual vai ter que pedir esmola...

Graciliano apenas murmurou:

- A quem?...

Tudo pelo emprego

Como em todo governo, a administração do presidente Lula arquivou o esquerdismo do PT para fechar acordos partidários fundamentados na troca de favores, no mensalão explícito e no fisiologismo, na briga pela “ocupação de espaços”, ou seja, nomeação de apadrinhados para os cargos do governo. Tudo isso lembra o velho PSD e a frase genial do pessedista Tancredo Neves sobre a vocação fisiológica do seu partido:

- Entre Karl Marx e a Bíblia, o PSD fica com o Diário Oficial.

Sempre perto do poder

Político que se preza não perde procissão. Na Paraíba, o deputado Antônio Montenegro, obediente à regra, esteve certa vez na procissão de Santo Antônio, em Piancó. Aproximou-se para ajudar a carregar o andor, mas os quatro lugares já estavam ocupados, um deles pelo senador Rui Carneiro, do MDB. Montenegro puxou o padre num canto e apelou:

- Reverendo, eu queria pelo menos que o senhor deixasse eu ir perto da banda de música. Longe do poder é que não posso ficar...

Latinha na cabeça

Quando foi secretário de Educação do governador de São Paulo Geraldo Alckmin, Gabriel Chalita teve uma excelente oportunidade de ficar calado. Mas não ficou. Para dar uma mãozinha ao então ministro Paulo Renato (Educação), que bateu boca com a prefeita Marta Suplicy, Chalita a atacou por manter cinqüenta “escolas de latinha”, em calorentas instalações de metal. Um assessor o cutucou, na frente de jornalistas:

- O governo do Estado tem 200 escolas como essa, secretário.

Chalita engoliu seco e mudou de assunto.

Ministro só com telex

Eduardo Portela era ministro da Educação, no governo João Figueiredo. Ele foi obrigado a pernoitar em São Paulo: o mau tempo fechou o aeroporto. Foi direto para o hotel Maksoud e, na recepção, o empregado português exigiu pagamento antecipado da diária. Mas não aceitou seu cheque, de Brasília. Um primo de Portela, Valdir Luciano, cochichou:

- Esse é o ministro da Educação, Eduardo Portela.

- Não é, não – cortou o empregado do hotel, para explicar cartesianamente – se fosse, teria vindo um telex de Brasília fazendo reserva. Toda vez que vem ministro pra cá, vem telex. Não tem telex, não é ministro.

Perdidos na noite

Logo nos primeiros dias como presidente, João Goulart chamou o assessor de imprensa, Raul Ryff, meteu-se num Fusca e saiu dirigindo na noite da desconhecida Brasília, com suas avenidas largas e superquadras estranhas. De repente se deparou com um caminhão, frente a frente. Estava na contramão. O caminhoneiro gritou:

- Amigo, não sou daqui. Como faço para chegar no final da Asa Norte?

Jango olhou para Ryff e, divertido, desculpou-se:

- Ih, rapaz, não sei. É que eu também não sou daqui!...

E foi embora, às gargalhadas.

Beijos paraibanos

A festa era em homenagem às bodas de ouro de Severino Teixeira, líder político de Areia (PB). O lendário José Américo compareceu, aos 92 anos, e ficou assistindo outro convidado ilustre, João Agripino, entornar todas. A certa altura, Agripino fez um emocionado discurso e até beijou o Teixeira. D. Lurdinha, secretária de José Américo, perguntou ao chefe:

- O sr. está se sentido bem?

- Melhor do que o João Agripino, que já está beijando homem e eu ainda não beijei nem mulher...

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