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Prova para doutora Jane

Ex-governador de Pernambuco com fama e hábitos próprios, Roberto Magalhães acabara de ser eleito deputado federal. Num sábado deserto de Brasília, queixou-se de dor de dente, pediu ajuda a amigos para localizar um dentista. No fim da consulta, ele pediu:

- O sr. me dá um atestado?

- Claro. Mas, permita-me a pergunta: para que o senhor precisa de atestado?

- É para mostrar à doutora Jane.

“Doutora Jane” é como Magalhães chama a mulher, para o caso de dúvida sobre a sinceridade da sua dor.

De Quitandeiro a Megalonanico

Antes de ficar conhecido como “Megalonanico”, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim ganhou um apelido inesquecível para diplomatas da sua geração. A maldade foi do embaixador Sérgio Corrêa da Costa, com quem Amorim serviu em Londres, nos anos 1970:

- Celsinho Quitandeiro.

É que ele usava fartos bigodes, como os de um quitandeiro português.

Aos amigos, tudo

Artur Bernardes, que governou Minas Gerais e mandou no Brasil, é o autor de um princípio de hipocrisia política até hoje adotado pelos poderosos:

- Para os correligionários, tudo. Para os adversários, a lei. Quando possível.

A comadre Jackie

O prefeito José Amâncio Costa, do interior paraense, dera o nome de personalidades importantes a seus sete filhos: Nelson, Maria Antonieta, Bismarck, Wilson, Getúlio, Juscelino e Kennedy. Para o batismo deste último convidara o próprio, que não pôde vir, mas foi representado pelo cônsul americano em Belém. Poucos meses depois, Kennedy foi assassinado. Amâncio chorou copiosamente a morte do xará de seu filho. E a quem tentava consolá-lo, ele respondia:

- O que me preocupa mesmo é a minha comadre Jacqueline...

Bornal, eleitor decisivo

Eleito para o governo de Minas, em 1946, Milton Campos enfrentou um quadro muito comum a governadores recém-eleitos: sua maioria na Assembleia Legislativa era precária: um voto. Repórter iniciante, José Aparecido de Oliveira perguntou ao governista Virgílio de Melo Franco:

- Como vai ser a eleição para presidente da Assembleia?

Melo Franco respirou fundo e ensinou:

- Meu filho, essa gente não resiste ao cheiro do bornal...

Abrindo ou não o bornal, o governo ganhou a disputa. Por um voto.

Adesão coincidente

Em reunião da executiva do DEM (ex-PFL) em 2002, o então prefeito do Rio, César Maia, fez um discurso imaginando maneiras de continuar governista, aderindo ao governo do PT, recém-eleito. “Se o PT aderir às ideias pefelistas, nós poderemos aderir ao governo Lula”, disse. Na terceira vez que o prefeito usou a palavra “aderir”, ACM corrigiu:

- Não diga aderir, diga “coincidir”.

A gargalhada foi geral. Mas não houve adesão, tampouco coincidência.

É a mãe!

O jornalista Murilo Melo Filho acompanhava os debates no Senado, que iam num crescente perigoso. E assistiu quando, chamado certa vez de “rebotalho da ditadura”, o senador Victorino Freire reagiu ao orador:

- Rebotalho da ditadura é a égua da sua mãe!

Foi advertido pelo presidente, senador Mello Vianna, que lhe solicitou retirar as grosseiras expressões. Vitorino não arredou pé:

- Não retiro coisa nenhuma. Sempre que esse sujeito me insultar, trarei a mãe dele para o plenário, pois não ponho diamante em tromba de porco!

Paladar apurado

Muita gente ficou escandalizada com o Romanée-Conti de R$46 mil que o marqueteiro Duda Mendonça ofereceu a Lula após ser eleito presidente, achando que o petista tinha mais é que continuar bebendo a pinga com cambucy dos seus tempos metalúrgicos. Mas Lula apreciava bons vinhos há muito tempo. Quando foi libertado dos do Dops, nos anos 1980, o jornalista Mino Carta (genial criador de Veja, IstoÉ, entre outros títulos) convidou Lula e Marisa para jantar. E abriu um magnífico Brunello de Montalcino, que guardara durante vinte anos para uma “ocasião especial”.

Duda e seu joão-bobo

Lula ainda cambaleava, após a segunda derrota para FHC, quando Duda Mendonça encontrou o jornalista Ricardo Kotsho na cantina “Il Sogno di Anarello”, em São Paulo. Ali, entre “chiantis” e ao som de “Champagne”, na voz do proprietário, Giovanni Bruno, o marqueteiro vindo de campanhas malufistas pediu apoio de Kotsho, amigo de Lula, para fazer a próxima campanha presidencial, e de graça. Antecipou até a primeira “peça” de marketing: um joão-bobo de bolso, com a cara de Lula, um boneco do tipo que toma o peteleco, mas não cai. “Getúlio usava um bonequinho desses”, lembrou Duda. Kotsho não pareceu entusiasmado, mas prometeu levar a ideia ao PT.

Duda não precisou usar o Lulinha. Muito menos trabalhar de graça.

O segredo do poder

Empossado governador de Minas, nos anos 1940, Milton Campos marcou audiência com uma comissão de correligionários de Curvelo, à frente o deputado Raimundo Sapateiro, o único trabalhador eleito pela UDN. Como Campos demorou a receber o grupo, Sapateiro acabou cochilando numa confortável poltrona da antessala. O próprio Milton Campos o despertou:

- Então, Raimundo, já conhecia o palácio? Gostou?

- Gostei muito, governador. E só agora entendi por que os políticos brigam tanto pelo poder. É porque ele é muito macio...

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