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Medo de cobras

Jânio Quadros nunca teve muito apreço por jornalistas. Considerava-os como a serpentes. No final dos anos 80, prefeito paulistano, ele foi à casa do deputado estadual Fauze Carlos (PTB) para se encontrar com o presidente nacional do partido, Paiva Muniz. Deparou-se com dois jornalistas, que, claro, logo pediram uma “conversa rápida”.

- Ah, são só dois?...

Os repórteres se animaram, mas só até ele completar, às gargalhadas:

- ...e não dá para um comer o outro, e ficar um só?

Artes do serpentário

O falecido embaixador Antônio Correia do Lago, competente e discreto, jamais usou o sogro Oswaldo Aranha para subir na carreira. Mas outro genro diplomata de Aranha, Sérgio Correia da Costa, fez o sogro pedir sua promoção ao presidente JK, naquele final dos anos 50.

 - Me traz o ato do genro do Oswaldo Aranha – ordenou Juscelino Kubitscheck ao diplomata Antônio Azeredo da Silveira, seu assessor.

- Qual deles? – perguntou Silveirinha, matreiro.

- Ora, o Correia – respondeu JK, sem saber ambos tinham Correia no nome, nem que seu assessor detestava Sérgio, o real beneficiário.

Assim, Antônio acabou promovido – pelas artes e manhas de Silveirinha.

Anéis de Ourives

Ao final de um inflamado discurso, o vereador de Pedro Ourives requereu ao presidente da Câmara Municipal de Cáceres (MT), nos idos de 1995:

- Faço questão de registrar meu posicionamento nos anéis desta Casa.

O vereador José Brandão, colega de bancada, corrigiu:

- Nobre colega, o certo é anais e não “anéis”.

Recebeu o troco:

- Que seja Anais para você. Para mim, que sou Ourives, a sua observação de nada vale.

Dedo acusador

O Brasil ainda estava sob o regime militar, em 1982, quando o País realizou suas primeiras eleições livres. Em um debate na TV Globo, o candidato do PDT em São Paulo, Rogê Ferreira, foi sorteado para fazer a pergunta a Lula. Mandou ver:

- Afinal, você é socialista, comunista ou trabalhista?

Esperto, e sem ainda saber direito o que era uma coisa ou outra, Lula optou pela responde que provocou risadas:

- Eu sou torneiro mecânico.

Olho eletrificado

Coronel Toniquinho Pereira era chefe político em Itapetininga (SP), quando se viu obrigado a receber o governador – seu adversário – na estação ferroviária de Iperó. Cheio de má vontade, assim que o trem chegou à estação, Toniquinho foi logo reclamando do chefe da estação:

- Entrou uma fagulha no meu olho...

- O trem é elétrico, coronel. Não solta fagulha.

- Então foi um quilowatt.

Oficinas não voam

Afonso Arinos de Melo Franco era ministro das Relações Exteriores de João Goulart e tinha pavor de avião. Certa vez, ao concluir visita a Portugal, ele se despediu do presidente anfitrião, Américo Tomás, que tocou no assunto:

- O senhor gosta de avião?

- Não muito, excelência...

Ao invés de tranquilizar o chanceler brasileiro, Tomás fez um comentário que o atormentaria durante todo o percurso de volta:

- É, enquanto eles voam lá em cima, as oficinas continuam cá em baixo...

Afonso Arinos morreu falando mal de Américo Tomás.

Inimigos são referências

Eleito senador, Tristão da Cunha (avô do governador de Minas, Aécio Neves) foi procurado pelo baiano Luiz Viana Filho para apoiar um candidato dele a um cargo na Mesa Diretora. Tristão concordou imediatamente, prometendo votar no indicado. Luiz Viana Filho se animou:

- Vou apresentar um ao outro, para que você o conheça melhor.

- Não precisa – descartou Tristão – eu já conheço os inimigos dele...

Marcação cerrada

Quando o presidente Jânio Quadros renunciou, o vice João Goulart visitava a China e os militares diziam não aceitar sua posse. Até democratas sinceros pediam a desistência de Jango. Já em Paris, na viagem de volta, ele recebeu um telefonema preocupado de Juscelino Kubitschek, advertindo que o País estava “à beira de uma guerra civil”. O senador Barros Carvalho, que acompanhava João Goulart, tomou o telefone e calou JK:

- Não haverá renúncia. Eu não vou deixar. Agarro as mãos do presidente e não largo, mas ele não assina a renúncia!

Definição de governo

Dias antes do suicídio que o fez entrar para a História, Getúlio Vargas teve uma conversa com o seu ministro da Viação, José Américo de Almeida:

- Impossível governar este país. Os homens de verdadeiro espírito público vão escasseando cada vez mais – desabafou Getúlio.

- E o que é que o senhor acha dos homens de seu governo? – perguntou José Américo.

O ex-ditador observou, desolado:

- A metade não é capaz de nada e a outra metade é capaz de tudo.

A última noitada de JK

Cinco dias antes de morrer, Juscelino Kubitschek teve sua última noitada no Eron Palace Hotel, em Brasília. Queria porque queria dançar com a grande amiga Vera Brant ao som da música “Peixe Vivo”, sua favorita. Era uma segunda-feira e a boate estava fechada, mas pedidos de JK eram ordens para Eron Alves da Cruz, o dono, que mandou o sobrinho Eraldo ir buscar o DJ. E JK dançou pela última vez, sob os olhares de Eron e Eraldo, na versão disponível de “Peixe Vivo”, em espanhol. Na manhã seguinte, foi de avião a São Paulo, para depois viajar de carro ao Rio. Morreria na estrada.

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