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Lição fulminante

O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, não hesitou quando soube da morte súbita do senador Onofre Quinan, de Goiás, e tocou o telefone para o então presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães, às 6h da manhã.

- Estou ligando para comunicar a morte do senador Onofre Quinan.

Na outra ponta da linha, tonto de sono mas já irritado, ACM devolveu:

- Sim, Agaciel, e o que é que eu posso fazer?!

Agaciel Maia aprendeu que não se deve tirar um baiano da cama tão cedo.

Um mar de leite

A base eleitoral do senador potiguar Agenor Maria era o sertão, município de Currais Novos, onde tinha uma fazenda de gado leiteiro. Certa vez, alugou uma casa à beira-mar, em Natal, e levou com ele um velho empregado da fazenda, seu Chico, que nunca tinha visto o mar.

- Chico, veja só que imensidão. Imagine tudo isso sendo nosso e, em vez de água, leite! – disse Agenor, puxando conversa na varanda da casa.

A resposta do velho vaqueiro foi carregada de significado:

- Prestava não, dr. Agenor. E aonde a gente ia achar tanta água pra misturar nesse leite?

Índio malandro

O cacique Mário Juruna foi eleito deputado em 1982 pelo PDT carioca, e fez história, de gravador em punho, cobrando promessas e compromissos dos políticos com a causa indígena. Mas, curiosamente, o deputado Mário Juruna não nomeou índios xavantes para a sua assessoria; só escolheu brancos. A um repórter que perguntou o motivo, ele explicou:

- Branco entende malandragem de branco.

Animal errado

No final dos anos 1970, quando Arena e MDB eram os partidos autorizados pela ditadura, vivia em Manaus um comerciante sírio, Salim, conhecido por “Jacaré”. Certo dia, às vésperas da eleição de 1978, recebeu uma ligação:

- Aqui é Luís Humberto, da Comissão de Finanças da Arena. Estamos reunindo recursos para a campanha do vice-governador João Bosco, nosso candidato ao Senado. Precisamos da sua contribuição financeira.

- De jeito nenhum, patrício. A Arena só tem leão ou rato. Eu sou Jacaré.

Separados pela língua

Neto do ex-presidente João Goulart, Cristopher Goulart estava filiado ao PTB e disputava eleição para vereador, em Porto Alegre, certa vez, quando em uma reunião alfinetou a prima:

- Se meu avô Jango estivesse vivo, não estaria no PDT porque era o partido de Brizola.

A deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) retrucou, incorporando o espírito do avô:

- Não posso dizer em que partido meu tio-avô Jango estaria, mas com certeza não seria no partido do Roberto Jefferson.

Bin Laden em Cumbica

Na visita ao Brasil do presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, em temporada junina, alguém soltava fogos quando o avião fretado de Fernández aterrissava no aeroporto de Cumbica, São Paulo. Estoura um rojão, o céu se ilumina. Apavorado, o piloto americano do jatinho desce reclamando que “podia ser um míssil”. O presidente dominicano também desiste da viagem. A FAB teve que enviar um avião a São Paulo para buscar o “possível alvo” e levá-lo ao encontro de Lula.

ACM era dureza

Foi numa greve de motoristas de ônibus em Salvador, que o falecido senador baiano ACM apelidou de “Waldir Moleza” ou “Waldir Lerdeza” o então governador da Bahia e ex-ministro Waldir Pires (Defesa). Chamado de “Toninho Ternura” ou “Toninho Malvadeza”, dependendo do humor popular ou dos fatos políticos, ACM viveu dias de glória naquela greve, com o povo revoltado gritando nas ruas:

 - Chega de Moleza, queremos Malvadeza!

Tudo o que faltou a Waldir Pires na crise aérea.

Manhas do Malvadeza

O jornalista Luiz Cláudio Cunha entrevistava ACM, então governador da Bahia, para um perfil na revista Playboy que ganharia um título magnífico, inspirado no filme do baiano em Glauber Rocha: “Deus e o Diabo na terra do Sol”. O almoço estava no final quando o telefone tocou. Era Clóvis Rossi, da Folha. ACM não queria deixar de atender, tampouco falar. Ele já havia parado de comer, mas meteu uma garfada na boca e pegou o telefone:

- Aô, bubo bem? – disse, de boca cheia.

Constrangido, Rossi se desculpou pela interrupção do almoço e desligou.

Dialética do trabuco

Na campanha para presidente de 1960, Jânio Quadros foi a um comício em Aimorés (MG), onde o clima andava tenso entre facções da UDN e PSD. Assim que começou, José Aparecido de Oliveira foi com o deputado Padre Godinho à barbearia. Quando um fazia barba e outro cortava o cabelo, tiros foram ouvidos. Godinho decidiu sair da barbearia e Aparecido o ponderou:

- Não vá, eles continuam atirando!...

Padre Godinho parecia saber o que ocorrera lá fora:

- Vou, é meu dever de sacerdote. Preciso dar extrema-unção ao Jânio.

Todo cuidado é pouco

Costa Rego fez fama como jornalista no Rio de Janeiro e, na década de 20, voltou para Alagoas, sua terra natal, para se eleger governador. Fez um governo austero, mas, incorrigível mulherengo, enfrentou problemas. Seu secretário da Fazenda era Epaminondas Gracindo, avô do ator Gracindo Júnior. Certo dia, ele tomava o café da manhã e viu Costa Rego abrindo a porta de sua casa e ir entrando com a maior naturalidade.

- Espere aí, governador! – gritou Epaminondas – Com essa sua fama de garanhão, o senhor não pode entrar na casa de uma família de respeito.

Governador e secretário despacharam na calçada.

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