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Representatividade

Sambista, jornalista e gente boa, Sérgio Cabral, pai do ex-governador preso do Rio de Janeiro, era vereador quando foi abordado em um restaurante: “E aí, ainda tem muito ladrão lá na Câmara?”

Cabral lembrou com elegância que havia também vereadores dignos e dedicados e pôs fim ao papo de um jeito que o homem ficou sem saber se era elogio ou insulto:

- Fique tranqüilo: o senhor está muito bem representado...

Quebra-quebra

O saudoso deputado Maurício Fruet faz falta até nestes tempos de apagão aéreo. Adorava pegadinhas. Certa vez, o mau tempo fez o vôo Rio-Curitiba seguir para São Paulo, depois para Londrina, onde pernoitaram em hotel. Na manhã seguinte avisaram que o vôo iria para Florianópolis. Fruet entrou em ação, falando alto: “O pior é que eles querem nos cobrar o pernoite em Londrina!...” Os passageiros foram contidos à força. Queriam quebrar tudo.

Pinto mole

Recém eleito deputado federal, o maranhense Pinto do Itamaraty foi a Brasília e se hospedou na casa do deputado Sebastião Madeira (PSDB-MA). Passou mal e ficou de repouso. Madeira recomendou cuidados à sua empregada e, ao chegar para o almoço, perguntou a ela como estava “o paciente”. Madeira conta que não conteve a risada com a resposta:

- O Pinto? Acho que ele continua doente. Fui lá olhar e ele tá tão molinho...

Chave de galão

O ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, demitido pelo então chanceler Celso Amorim por telefone, gosta de jogar futebol. Certa vez, numa quarta-feira, hora do almoço, ele se paramentou todo e reivindicou vaga em uma pelada de filhos de diplomatas no Clube das Nações, em Brasília: “Quero jogar, sou ministro”.

Obteve a vaga, mas a garotada se vingou: ninguém lhe passou a bola. O jogo inteiro.

Bons de dança

A pirotécnica “Força Nacional de Segurança” fez lembrar ao jornalista Arael Costa, professor da UFPb, a adesão de uma tropa de cavaleiros gaúchos ao “movimento pela legalidade” chefiado pelo governador Leonel Brizola. Após ordenar sua incorporação à Brigada Militar, Brizola indagou ao líder:

- Então, sua tropa é mesmo boa de briga?

- Bom – respondeu o homem – de briga não sei, não. Mas de dança, tchê...

PAC e POC

A polêmica causada do “sincericídio” do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), contando como o número de votos de um partido na Câmara ou no Senado é o que determina a escolha de um ministro, faz lembrar a ironia do ex-deputado Beto Albuquerque (RS), então líder do PSB, que usou um paralelo com o PAC para definir a paixão do PT por boquinhas:

- Eles (petistas) defendem é o POC, Programa de Ocupação de Cargos. O resto é salamaleque.

Sem medidas

O saudoso deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP) estreou em grande estilo, ao exigir silêncio durante seu discurso de estreia, calando 368 parlamentares presentes no plenário. E ainda deu um pito em Paulo Maluf (PP-SP), que insistia em conversas paralelas.

Após o discurso, uma repórter quis saber como ele votaria as medidas provisórias. Clodovil fez graça:

- Que medida o quê, minha filha... Eu não estou aqui para fazer roupa!
Deu uma sonora gargalhada e foi embora.

Traição no Congresso

O embaixador José Aparecido de Oliveira, testemunha de tantas lutas políticas – dos presidentes Jânio Quadros, de quem foi secretário, a Itamar Franco, em quem mandava – nunca teve a menor dúvida: “Na cabine indevassável, o homem trai!”

O falecido presidente Tancredo Neves, por exemplo, detestava votações secretas no Congresso. Por quê?

- Dá uma vontade de trair... – dizia ele, com jeito moleque.

Confusão

O saudoso ex-governador paulista Franco Montoro trocava nomes e pessoas, mas tentava acertar. Até fazia associações. Por isso, sempre chamava o então deputado Flávio Bierrenbach de “Bierrenbrahms”. Associava o sobrenome do atual ministro do Superior Tribunal Militar com um certo compositor de Hamburgo (Alemanha), mas novamente trocava Johann Sebastian Bach, nascido em 1685, por Johannes Brahms, de 1833.

Brasão é marca

A deputada Dirce Tutu Quadros, filha de Jânio, decidiu mandar a filha Tina estudar na Inglaterra. Tudo pronto, recebeu um telefonema de Sir John Towey, diretor da escola, pedindo para ela não esquecer do brasão da família. A deputada desligou o telefone sem saber o que fazer, mas logo em seguida se virou para amigos que estão na sala e decidiu:

- Levarei uma vassoura para pendurar no quarto da Tina. É o brasão dos Quadros!

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