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Surpresa é um tatu

Em campanha ao governo do Ceará, Parsifal Barroso estava sempre às voltas com orgias gastronômicas. Certa vez, no interior, as senhoras anfitriãs avisaram: “Temos uma surpresa pro senhor”. Era um tatu, no capricho. No dia seguinte, ele ganhou uma tremenda dor de barriga. Mesmo debilitado, continuou em campanha. Outra cidade, outro almoço, e Parsifal suando frio. Seu amigo Peixoto de Alencar resolveu brincar com  ele, pedindo a um grupo de mulheres para dizer que tinham “uma surpresa” para ele. Ao ouvir as mulheres, Parsifal nem quis saber da surpresa: em desespero, pediu licença e abandonou o lugar.

O papa-defunto

O deputado estadual paraibano João Gonçalves (PSDB) tem fama de fazer política freqüentando velórios. A crônica política local informa que ele acompanha autópsias, ajuda a vestir defuntos e raramente perde um enterro. Se não consegue ir a um velório, morre de desapontamento. O presidente da Assembléia Legislativa da Paraíba, Artur Cunha Lima, também tucano, recentemente acompanhava um velório, quando de repente percebe a chegada de João Gonçalves. Foi logo avisando:

- Vá embora, João, porque este defunto é meu...

Despacho on the rocks

O governador mineiro Hélio Garcia era famoso por não despachar com secretários. Houve quem jamais se reunisse a sós com ele. O titular da importante pasta de Obras, Maurício Pádua, levou três meses tentando agendar um despacho. Na hora marcada, chegou ao Palácio das Mangabeiras, residência oficial, e Garcia observou lá de cima que ele carregava grande volume de pastas. Orientou o ajudante de ordens:

- Eu não chamei o Maurício aqui para despachar, sô, mas para tomar uns uísques. Leve aquelas pastas de volta ao carro dele...

Picolé de brasileiro

Presidente da União Nacional dos Estudantes no início dos anos 1980, Aldo Rebelo viu-se cercado de convites internacionais. Foi a Moscou, cujo governo, então soviético, não lhe inspirava confiança. Militante do PCdoB, Rebelo via nos funcionários do Kremlin repulsivos revisionistas. Ao desembarcar, um solícito funcionário soviético insistiu para que ele vestisse um casaco térmico. Camarada Aldo recusou, achando-se agasalhado, e ganhou a rua. Repentinamente, perdera todos os movimentos. A temperatura, em Moscou, estava a 39 graus negativos. O brasileiro, sob a insuficiente lã dos velhos agasalhos, parecia congelado. Solícito, o russo jogou sobre ele o feioso, porém eficiente, abrigo térmico; e, aos poucos, o presidente da UNE foi recuperando a mobilidade. Chateado, o revolucionário Aldo ficou devendo essa gentileza à camarilha revisionista soviética.

O olhinho do governador

Costa Rêgo governou Alagoas, nos anos 1950, e não dava confiança a ninguém, exceto ao garotinho Renato, filho do amigo e senador Fernandes Lima, que ganhou olho de vidro após um acidente doméstico. Um dia passou a morar em Maceió uma bela francesinha, por quem Costa Rêgo se apaixonou exercitando seu francês. As visitas a ela eram frequentes e o falatório ganhava as ruas. Fernandes Lima decidiu advertir o amigo:

- O povo já está falando e isso não fica bem para o senhor.

- Ora, senador, o Renatinho não tem um olho de vidro?...

- Tem...

- Ele tem um olho de vidro porque gosta ou por necessidade?

- Por necessidade, é claro – respondeu Fernandes Lima.

O governador olhou o amigo fixamente e sentenciou:

- Deixe a francesa em paz. Ela é o meu olho de vidro.

Brizola e a cobra de Amin

O conservador Esperidião Amin se aliou a Leonel Brizola, em 1986, quando ambos sofriam com o êxito do Plano Cruzado. Ao visitar o governador no Rio, Amin contou uma fábula árabe para explicar como via o quadro:

- O urubu queria se vingar da cobra e contou seu plano à raposa: “Quando a cobra sair do buraco, dou uma bicada em cada olho e ela acaba morrendo”. A raposa ponderou que havia risco e sugeriu: “Vá à cidade, roube uma joia da moça mais bonita e uma multidão vai atrás de você. Voe para o buraco da cobra, atire a joia lá dentro e a turba vai matá-la para você”.

Brizola fez cara de quem nada entendeu e Amin contou a moral da história:

- Você está mais para cobra, neste momento.

Simon e seu acento

Quando chegou ao Senado, em 1974, o senador gaúcho Pedro Simon estreou sob o signo da dúvida: como se deveria pronunciar corretamente o seu sobrenome? A pergunta interessava até às taquígrafas. Logo no primeiro dia Simon fez um discurso, já sublinhando as frases com gestos marcantes, teatrais. Atacava duramente a ditadura. O senador Jarbas Passarinho, governista, com ar grave, pediu um aparte.

- Gostaria que V. Exa. esclarecesse de uma vez por todas: afinal, como devemos chamá-lo? Símon ou Simón? Seu acento é na frente ou atrás?

O plenário caiu na gargalhada. E Simon não respondeu.

Fobia de Quércia

Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro articulavam a criação do PSDB, durante a Constituinte de 1988, e se reuniram com a turma de Ulysses Guimarães. O ministro Renato Archer pediu a palavra:

- Estive há algum tempo em São Paulo e lá encontrei Montoro como governador, Mário Covas prefeito e Fernando Henrique presidindo o PMDB no Estado. Do jeito que vocês são vulneráveis, cuidado com o Quércia: se ele entrar nesse novo partido, toma conta.

A advertência foi levada ao pé da letra: jamais os tucanos quiseram papo com Orestes Quércia, que por muitos anos comandou o PMDB paulista.

Tudo por um bifinho

O ex-governador Newton Cardoso tem um jeito muito peculiar de manejar recursos públicos, por isso enfrentou muitas acusações quando chefiou o executivo de Minas Gerais no início dos anos 1990. Certa vez, às voltas com denúncias de desvio de de carne destinadas à penitenciária de Contagem, seu principal reduto eleitoral, o então governador não se apertou quando um repórter perguntou o que achava do pedido de impeachment pretendido pelo PT.

- Não sei porque esses petistas fazem tanta questão por causa de uns bifinhos...

Mulher, o fraco do João

Na campanha de 1982, João Cordeiro de Sobral disputou a prefeitura de Salto do Céu (MT). Boa praça, querido na cidade, ele tinha um sério problema: era mulherengo. Certo dia, durante um comício, dirigiu-se assim aos candidatos ao governo, Júlio Campos, e ao Senado, Roberto Campos:

- Como não podem dizer que sou vagabundo ou ladrão, resolveram explorar a minha fraqueza pelo sexo feminino. Tudo o que dizem é verdade, só esqueceram de dizer que eu sou bom pai e bom marido. Não é, Adalgisa?...

Sua mulher, ao lado, balançou a cabeça, em sinal de concordância:

- ...e nesta praça – arrematou – as senhoras sabem que foram muito felizes todas as mulheres que desfilaram na passarela do meu coração!...

Júlio e Roberto Campos, incrédulos, anteviram uma derrota. Mas, nas urnas, Sobral deu um banho nos adversários.

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