AMEAÇAS À PAZ

Collor critica Trump por gerar crises que põem planeta em risco

Ex-presidente do Brasil vê paz intimidada por guerras comerciais, ameaças nucleares e desrespeito à ONU

Fernando Collor de Mello em sessão da CRE, no Senado (Foto: Pedro França/Agencia Senado)

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Fernando Collor (PTC/AL) apontou, nesta segunda-feira (25), o diálogo como caminho para a solução de problemas entre as nações. O ex-presidente da República destacou que as guerras comerciais e as ameaças nucleares feitas por alguns líderes mundiais não possibilitam a construção de um planeta melhor, “pelo contrário”.

Na ocasião em que debatia a proliferação nuclear na Ásia, o senador alagoano Fernando Collor criticou a atitude do presidente americano Donald Trump, ao afirmar que ele tem criado crises após crises no cenário internacional.

“Trump abandona o acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, abandona o acordo de controle nuclear com o Irã. Depois, abandona a Unesco, que é uma entidade cultural. Sai do Conselho de Direitos Humanos da ONU e retira sua assinatura do acordo do G-7. E tudo fica por isso, como se não houvesse consequências”, protestou Collor, durante o 8º Painel do Ciclo de Debates.

Como exemplo de medidas individuais que têm impactado de forma negativa na vida de milhões de pessoas, o presidente da CRE citou algumas ações que estão sendo realizadas pelo governo dos Estados Unidos da América nas áreas comerciais, ambientais, tratados de paz e outras. Ele criticou, ainda, o desrespeito por parte das grandes nações do mundo às resoluções da ONU, além das sanções que são impostas contra países pobres, sufocando a população.

“Acredito que o momento hoje é de diálogo, de cooperação sem submissão, de convivência pacífica, de construção e edificação de consensos, trazendo assim de volta o bom senso ao convívio entre nós, entre as grandes lideranças mundiais”, destacou Collor, acrescentando que a medida adotada por líderes de países tem resultado em sanções econômicas que resultam no sofrimento da população. “Por que a população paga por essa medida?”, indagou.

Suspeitas de terrorismo com tecnologia nuclear 

Ao relatar as tensões nucleares entre a China, Índia e o Paquistão, a professora Layla Abdallah Dawood, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), citou suspeita de agências de inteligência ocidentais de que o Paquistão tenha repassado tecnologia nuclear a grupos terroristas.

O embaixador do Paquistão no Brasil, Najm us Saqib, questionou a informação, afirmando que não houve esse repasse e criticou o uso de somente fontes ocidentais para um debate que envolve vários lados.

Além da professora Layla Dawood, outro especialista em relações exteriores com foco na Ásia, o professor Eugênio Pacelli Costa, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), compareceu à CRE para analisar situações de tensão naquele continente.

A comissão tratou sobre a situação que envolve China, Índia e Paquistão, em que os três países possuem armas nucleares e já entraram em conflitos armados em diversas ocasiões no século 20. E também trataram do caso entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que envolve os interesse dos EUA e do Japão.

Pacelli Costa destacou que da recente reunião entre o presidente americano Donald Trump e o líder norte coreano Kim Jon-un não resultou um acordo com pontos a serem cumpridos. “Quais as etapas da desnuclearização? Quem vai fiscalizar? Quais os prazos? O que cada lado vai cumprir? Isso está em aberto e sem respostas”, frisou ele.

Segundo os acadêmicos, as escaladas nucleares entre a China e a Índia, e entre a Índia e o Paquistão são fontes de tensão desde as independências indiana e paquistanesa em 1947. A China é a grande superpotência da região e, por isso, a Índia, que também tem uma fronteira disputada com o Paquistão, optou por desenvolver um programa nuclear para sua defesa, explicaram.

Os dois professores também abordaram a questão do Irã, que assinou um acordo com os Estados Unidos, Alemanha e França se comprometendo a usar a energia nuclear apenas para fins pacíficos. Esse acordo entrou em crise a partir do instante que o presidente norte-americano Donald Trump o abandonou. (Com informações da Agência SenadoGazetaweb)

Redação
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