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O assunto merece sérias reflexões e suscita diversas indagações sem rodeios. Pois bem, se alguém dissesse, há vinte ou vinte cinco anos, a qualquer cidadão que tivesse um mínimo de informação que o Brasil acabaria conhecido como a Nação do Mundo onde seria praticado o maior roubo da coisa pública da história contemporânea, ninguém do bem – mas ninguém mesmo - acreditaria.

Agora é fato, não há quem do povo desconheça aquilo que os últimos governantes e seus grupos políticos fizeram com esta Terra de Santa Cruz, nas últimas três décadas. Fala-se, grosso modo, de um prejuízo direto da ordem de 900 bilhões em nossa economia, recentemente. Fala-se em mais de 20 milhões de desempregados e de mais de 1,8 milhões de empresas fechadas só em 2015, segundo o IBGE. Constatam-se, com tristeza e revolta, a odiosa e doentia afronta à família e à cultura judaica cristã. A quem mais se pode atribuir todo esse dano senão à classe política e seus acólitos e comparsas?

Tribunal de Contas da União.
Para se ter uma ordem de grandeza do tamanho da malversação de dinheiro público, vou destacar apenas parte do que se sabe e foi divulgado pelo Tribunal de Contas da União, no período compreendido entre 2000 e 2017, em relação ao Governo da União.  Por conta da incompetência, da corrupção e dos privilégios que beneficiaram a quadrilha do Partido dos Trabalhadores e a dos demais que com aquele roubaram, em números totais chega-se a 261 bilhões de reais, apenas somando os prejuízos causados por algumas obras e por certos empreendimentos oficiais, como por exemplo: Angra 3; Linhas de Transmissão/Usinas de Geração de Energia; Copa do Mundo; Preço dos Combustíveis; Erros na Conta de Luz; BNDES; Refinaria de Abreu e Lima; Fundo Soberano; Refinaria de Pasadena; Petrolão; Transposição do Rio São Francisco; COMPERJ, com o Trem Bala, e não estamos computando aqui o que roubaram nas repartições da administração direta e nas Estatais, nas Agências Reguladoras, nos Fundos de Pensões, o que desviaram dos orçamentos do executivo, do legislativo ou do judiciário, e muito mais.

Tudo configura fatos públicos e notórios, existiram e não dependem mais de provas. Então, quero só perguntar uma coisa: a esta altura dos acontecimentos, alguém tem dúvida no sentido de que esses fatos ocorreram realmente? Alguém duvida de que o culpado de todo esses malfeitos foi, direta ou indiretamente, a classe política? Então porque o povo, de quem todo poder emana, não pode se livrar dessa corja? Já sei a resposta. Dirão os cínicos, os calhordas, os malditos intelectuais da enganação e da impostura, os sábios de todas as matizes e credos que, para tanto acontecer, primeiro há que se seguirem as regras; que existem as instituições encarregadas de fazê-lo; que não se pode afrontar o devido processo previsto na lei, nem o direito e seu ordenamento. Trocando em miúdo: para salvar os ladrões de colarinho branco no Brasil, toda lei que os ampara e os protege ainda é pouca.

Gostaria que alguém me dissesse onde estava aquela gente respeitável, culta e poderosa quando o roubo e os desmandos aconteceram por décadas a fio? Em que país eles viviam quando tudo isso dizimou milhões e milhões de brasileiros nas filas do SUS, nos guetos, nas palafitas e nas favelas deste sofrido Brasil, locais aonde tais canalhas nunca chegaram perto? Quando o mal aconteceu – e vem prevalecendo desde que, em março de 1895, a odiosa política dos tempos de agora tomou a Nação de assalto – o direito, a ordem constituída, as instituições e tudo o mais que invocam para proteger o agente público bandido, também não foram efetivamente afrontadas? E então?

Quando ouço esses “babilacas” metidos a besta, tão corruptos quanto qualquer outro já pego pela polícia; quando ouço essa súcia de patifes se lançando candidatos a presidente da república ou a qualquer cargo nos três poderes do governo; quando descubro que por trás de toda essa gente ordinária e aproveitadora estão aqueles que, de longa data, lutam para manter toda a canalha em seus lugares privilegiados na República, me indigno e me revolto a ponto de querer colocar todos esses maus brasileiros a ferros. Por que não? Se afinal mataram, se roubaram, se humilharam a Nação e se tornaram nossa gente numa legião de indigentes, que pena lhes deve ser aplicada? Nem me digam para ter a paciência dos acomodados ou a tolerância dos covardes por conta de que nosso País já se rebelou contra a corrupção e que muitos estão sendo punidos. É verdade, mas é muito pouco em comparação a todo mal que produziram. Penso que de uma só vez e, com mão de ferro, essa gente deve ser banida da vida pública nacional. Seria o mínimo, convenhamos. É desta forma que se faria justiça em nome dos brasileiros que perderam a vida nas mãos do tráfico e pela fome que surgiu nas casas dos desempregados; pela ação dos que roubaram os hospitais ou as verbas dos aposentados; pelos desmandos daqueles que levaram uma enorme parcela da sociedade à indigência.

Onde estão vocês os inatingíveis donos dos conglomerados de comunicação, o privilegiado empresariado nacional, os espertos avarentos donos dos bancos e das agências oficiais de agiotagem; onde estão todos que a Nação Brasileira enriqueceu que não se unem ao povo para nas ruas exigir a ruptura absoluta como todo esse sistema que nos infelicitou? Não vão fazer nada. Vão fingir que não sabem de coisa alguma e que não ouviram o grito aflito do povo por todo País. Vão abaixar os olhos, as cabeças e passarão para história como sanguessugas de um povo sofrido e miserável, mas salvarão suas fortunas e privilégios com a continuidade de tudo isso que aí está.

Defendendo o continuísmo ou a permanência desta desgraça, que envergonhou o Brasil perante o mundo, ainda ouvi outro dia a entrevista do Presidente Michel Temer a uma dessas poderosas emissoras de rádio. A velha raposa felpuda falou de tudo, mas de importante mesmo e de causar engulhos foi ouvi-lo dizer que todas as acusações que pesam sobre seus ombros e os de seus correligionários são falsas ou meras consequências de uma ação política ideológica. Que todas as provas e fatos apresentados no Judiciário contra ele e que o Brasil viu, ao vivo e em corres, não tem valor algum. Que tudo não passa de coisas menores. Disse, sem rebuço, que o que realmente tem importância são os feitos econômicos de seu governo que cinicamente alinha como se fossem o sal da terra, e com os quais pretende que se dê por superada toda vergonha que ele e sua classe de políticos trouxeram para o País, nos últimos 30 anos.

Considerando essa petulante atitude como uma verdade insuperável, Temer ao final tudo sintetizou, com outras palavras: negar seus feitos seria um desserviço ao Brasil tanto quanto em razão daquilo se sentia autorizado a procurar outros políticos para juntos derrotarem quem quer ouse apeá-los do poder. Disse que juntamente com o finório FHC, com Geraldo Alckmin, com Rodrigo Maia, com Ciro Gomes – com os quais já conversou ou vai falar – e, também, com quem quer que a eles se unam, estão mais do que prontos para enfrentar o pleito eleitoral deste ano. Então é assim: responder pelo mal que praticaram nem pensar. O propósito é claro, vão todos continuar no mesmo lugar ou quem sabe em posições mais privilegiadas ainda.

Esta será a primeira eleição geral que ocorrerá no País depois de tudo que se sabe e do que restou provado em relação aos políticos que aí estão. O povo, principalmente os segmentos mais esclarecidos da sociedade, pode e deve tentar banir do governo ou do parlamento senão todos pelo menos aqueles que sobre cujos ombros pesou, de algum forma, a pecha da corrupção ou o fato de terem sido úteis aos corruptos, tomando extremo cuidado com os que ainda estão soltos, quer porque sua hora não chegou quer porque contra eles não se reuniu prova direta, mas que sabidamente foram aliados no passado da corja petista, da peemedebista e de outros “istas” como: Geraldo Alkmim, Álvaro Dias (gente da antiga turma de FHC); Marina, Ciro Gomes, Aldo Rabello e Cristovam Buarque, ex-asseclas do PT; os vermelhinhos Manuela D’Avila e G. Boulos, ativistas das invasões urbanas e comunistas do atraso, Collor de Mello, figura procurada pela Lava Jato e outros sem expressão que nem cabe mencioná-los. Coloquem essa gente de volta no poder e eles trarão, de novo, a corja de Lula e Dilma, a qual serviram num passado recente. Todos têm uma parcela de culpa pela vergonha e pela desgraça que se abateu sobre esta Nação. É justo perdoá-los nas urnas?

Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

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