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Recordações e duplicações

Na sexta 27 de abril, desloquei-me para Recife para assistir a um casamento. Fiz a viagem pela rodovia BR-101. Anos passados o trajeto por terra à capital pernambucana se fazia por trem (Rede Ferroviária Federal, antes Great Western) ou por ônibus pelo litoral de Alagoas. Ao assumir o governo em 1951, Arnon de Mello iniciou um vasto programa rodoviário e o seu principal objetivo era construir e pavimentar a BR-316 entre Maceió e Palmeira dos Índios. Não se esqueceu, porém, de iniciar a pavimentação da BR-101 em direção à Divisa Al/Pe, que ao término do seu mandato chegou ao km 30, em Vila Messias. Não conhecia a BR-101-Norte duplicada e, ao passar por ela, muitas recordações me vieram dos idos da década de 50. Era estudante da Escola de Engenharia do Recife. Nessa época, ao me formar, fui contratado com outros colegas pelo atual DER para trabalhar como engenheiro do órgão rodoviário alagoano. 
Assumiu em 1956 a administração do Estado o Governador Muniz Falcão, que deu continuidade aos serviços de construção e pavimentação dos 78 km que faltavam para atingirmos a divisa com Pernambuco. Foram grandes as dificuldades que enfrentamos. Quase diariamente ia como fiscal acompanhar os serviços controlando sua qualidade através do nosso laboratório, liberando jazida de solos adequados para sub-base e base com os proprietários que margeiam a rodovia, como também retificar certos trechos. Tudo isso foi sendo repassado pela minha memória. Lembro certos episódios como uma prometida surra no nosso auxiliar Flívio Mascarenhas, que na pressa de atender a programação, acessou a uma jazida ainda não liberada pelo seu proprietário usineiro. Apelei para meu amigo Beroaldo Maia Gomes, dedicado engenheiro do DER, e a encrenca foi logo sanada. Certa vez levei para visitar as obras o saudoso Dr. Guedes de Miranda e não esqueço o que disse ao ser molestado pelos sacolejos do veículo de serviço “Alagoas é terra de macho”. 
O trecho norte da rodovia está praticamente concluído, faltando poucos quilômetros na região reivindicada pelos indígenas. Não sabemos o que está faltando para atendê-los. Um pormenor e que sempre me chamou atenção é a colocação de lombadas mais conhecidas por quebra-molas, sinalizando a redução de velocidade ou, no caso da BR-101, término de algum trecho ainda em serviço. A redução de velocidade do veículo muitas vezes se faz necessária para que pedestres atravessem, mas se deve sinalizar sua existência com eficácia e quantidade. Agora pergunto, por que não se constroem passarelas? Em Pernambuco na BR-232, de Recife a Caruaru, não encontramos esses indesejáveis obstáculos. Precisamos educar o pedestre e os condutores de veículos e sinto que estamos anos luz dos centros adiantados. Não observei numero excessivo dos obstáculos no trecho da BR-101 em nosso vizinho do norte
Ao retornar a nossa terra enfrentamos copiosas chuvas que em verdade funcionam como excelentes sensores aos malfeitos. Nas cercanias do acesso a Colônia de Leopoldina, como também em terras de Novo Lino, elas comprovaram os erros de execução (ou de projeto) com a estagnação de aguas formando verdadeiros lagos. É inadmissível o que lá está. Dinheiro jogado fora. O perigo de aquaplanar é enorme e os acidentes que estão por vir são grandes caso, não removam as deformações que os causam. 
Quando pratiquei erro por deficiência na sinalização, fui fazer o retorno após a ponte sobre o Mundaú. Será que essa ponte dá passagem (vazão) nas grandes cheias do atrevido rio?

Vinícius Maia Nobre é engenheiro civil.

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