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Tudo como dantes

2018 se inicia com boas perspectivas na economia, cuja recuperação ganha consistência e aceleração, mas sob os riscos dos feriados, da copa do mundo da FIFA e do ano eleitoral. No Brasil, ano eleitoral significa exacerbação nos conchavos e crescimento dos acordos ilícitos, com envolvimento ilegal de recursos públicos. Caixa dois, então, é uma certeza absoluta, basta atentar para as delações das grandes empreiteiras e da JBS, que elevaram os atos de corrupção à sua mais alta potência. Esse arcabouço construído à margem da lei e impregnado no sistema político nacional acaba por alavancar a insegurança jurídica e desacelerar a recuperação econômica.

Nessas eleições majoritárias que estão por vir, alguns fatos inusitados se apresentam. O primeiro deles potencializa a incerteza e se refere ao ex-presidente Lula que insiste em se candidatar a presidente da república, mesmo condenado em primeira instância e com forte possibilidade de condenação em segunda instância, com sentença prevista para 24 de janeiro próximo. Não constituirá surpresa alguma o registro, pela justiça eleitoral brasileira, da candidatura do ex-presidente Lula, mesmo condenado, independente da instância.

O segundo pode instabilizar a confiança, pelo desconhecido que representa a postulação de outsiders concorrendo não só ao pleito presidencial, mas também aos pleitos proporcionais, porém traz componentes ansiosamente aguardados de novo, de descontaminado e de isento. Alguns nomes estão na berlinda, como Luciano Huck (apresentador da Rede Globo), Valéria Monteiro (ex-apresentadora do Fantástico), Joaquim Barbosa (ex-presidente do STF), e outros que, se confirmados, oxigenariam o debate e, quem sabe, promoveriam enriquecimento na argumentação e postura ética na contenda. Novos nomes como Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados), Jair Bolsonaro (deputado federal pelo Rio de Janeiro), João Dória (Prefeito de São Paulo), Arthur Virgílio (prefeito de Manaus) e velhos nomes como Geraldo Alckmim (governador de São Paulo) e Ciro Gomes (ex-governador do Ceará) também têm sido lembrados e articulados nos meios políticos.

Embora esse mosaico possa até oferecer alguma esperança, percebe-se que não há nada de novo no front. O que há de certeza é a alta probabilidade de caixa dois e de acordos na calada da noite e a disponibilização de quase R$ 2 bilhões em recursos públicos para o Fundo Eleitoral que financiará a campanha política de um país que não tem recursos para enfrentar gravíssimos problemas nos sistemas básicos de saúde, de segurança, de educação e de saneamento e que, em síntese, vai eleger uma leva de políticos que exercerá seus mandatos sem qualquer garantia de transparência, fiscalização ou compromisso com o eleitorado.

Tudo como dantes.

 

Luiz Bittencourt é Diretor da LASB Consultoria.

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