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Soberania e mercado

A soberania brasileira está assegurada na Constituição, mas há indícios de que isso está sendo posto de lado em nome de uma pretensa nova ordem mundial estabelecida por conglomerados e pelo chamado mercado, um ente que economistas e jornalistas deslumbrados recorrem quando o assunto não condiz com o que querem as classes dominantes. Tomemos como exemplo o que ocorre agora com a reforma da previdência. O adiamento da votação para o próximo ano fez com que a mídia, de olhos arregalados, dissesse: o mercado reagiu mal, como se isso fosse paralisar o Brasil. Tal não se deu, nem se dará. Somos uma Nação soberana, e isso advém do povo, não do mercado.

Há princípios básicos que estabelecem a soberania de uma nação: a capacidade de produzir alimentos, que no caso brasileiro é preponderante, já que grande parte do que consumimos vem da agricultura familiar; a geração de energia (nossas hidrelétricas são exemplo para o mundo); forças armadas capazes de garantir a territorialidade; e a defesa da integridade do patrimônio público. Nesse ponto, o Brasil está claudicando, por conta das ações do atual governo no sentido de privatizar setores estratégicos como forma de “ajustar as contas públicas”. Trata-se de um sofisma. Já pagamos mais de R$ 1,8 trilhão em impostos do início do ano até agora, dinheiro que, se bem administrado, garantiria bens e serviços condizentes com o que se vê nações similares. Mas o governo insiste que a entrega do nosso patrimônio é primordial para que sejamos um País bem-sucedido. Uma lógica perversa ditada pelo famigerado mercado.

Nesse momento, é fundamental que nos unamos em terno do preconiza a constituição: nossa soberania. Não podemos nos abster de participar do debate político, porque é nesse campo que as decisões são tomadas. Voltar as costas para o que vem acontecendo é voltar as costas para o Brasil. Dizer simplesmente, “não confio nos políticos”, “não quero saber de política”, é renunciar a autonomia, permitindo que o País fique nas mãos de saqueadores e vendilhões. Daí, surgem aqueles que querem golpear a democracia com intervenção militar ou simplesmente pedindo a instalação de uma ditadura.

Nosso sistema funciona, mas precisamos aprimorá-lo. Não é por causa de uma dezena de sacripantas que vamos deixar o Brasil retroceder. Temos aqui mentes brilhantes, nosso patrimônio cultural, capazes de empreender uma cruzada em busca da excelência, mas para isso é necessário que tenhamos coragem de estabelecer a política como prioridade para resgatar nossa Nação. Precisamos confiar nas pessoas certas e cobrar delas as mudanças que nosso País precisa.


Ronaldo Lessa é deputado federal pelo PDT-AL.

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