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SOBRE TATUAGENS

Outro dia tive acesso a uma pequena preleção do pensador liberal inglês Theodore Dalrymple. Ele dissertava sobre hábitos sociais e seus trajetos. E dizia que não são os costumes das elites que descem às camadas inferiores do tecido social. Ao contrário, são as modas dos baixos estratos que ascendem em direção ao topo. Citava como exemplo o uso de tatuagens.

De fato, há ainda pouco tempo, talvez uma geração, a tatuagem não era costume disseminado pelas classes mais elevadas, mas considerada coisa da ralé, da marginalidade. Hoje a tatuagem subiu de status, prolifera e atinge todos os níveis da sociedade.

Os jovens, mulheres ou homens, tatuam suas peles e musculatura ainda lisas e rígidas. São formas coloridas, nomes, flores, imagens de pessoas ou animais, volutas, alegorias, desenhos geométricos e quanto mais existir de imaginação criativa. Nenhum pedaço dos corpos escapa: braços, pernas, mãos, pés, peitos, costas, seios, coxas, nádegas, pescoços, axilas, virilhas, ventres, quadris e até rostos se deformam com semelhante extravagância.

No entanto, o hábito é razoavelmente recente. Atingiu não mais do que uma geração. Essa gente ainda vive o sonho da juventude eterna, não envelheceu o suficiente para ver suas peles, músculos e corpos murcharem com a idade provecta. Quando esse tempo chegar as tatuagens vão se transformar em pelancas e muxibas ressequidas e desbotadas, espectros dignos de filme de terror.
 

Ney Carvalho é escritor e historiador.

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