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Airbus no centro de gigantesco escândalo de corrupção

Vergonha para os europeus que se consideravam modelares em termos de lisura empresarial. A Airbus, no melhor estilo Petrobras-Odebrecht nos anos de farra da gestão do PT, está mergulhada em corrupção até o pescoço. Tom Enders, o presidente da empresa – que ainda está livre e solto - é o responsável direto pela criação de um fundo de suborno separado dos ativos da empresa (então EADS) para comprar funcionários civis e militares de governos estrangeiros que favorecessem a aquisição de aeronaves Airbus.  Sobre o assunto, a revista alemã Der Spiegel, publicou um longo e contundente artigo.

Resta ver, agora, se os procuradores alemães, franceses, britânicos e de outros países vão conseguir levantar a sujeira toda e conseguir botar na cadeia os culpados. Em recente reunião em Toulouse, sede da empresa, os executivos da Airbus foram convidados por Enders a prestar colaboração aos investigadores, pois não seria mais a ocasião de se “esconder a merda embaixo do tapete”, disse, usando essas mesmas palavras. A empresa já não tinha mais como esconder sua conduta criminosa, pois a polícia já havia identificado cerca de cem operações de suborno, em vários países.

Além da perspectiva de cadeia para alguns de seus executivos, a empresa europeia quase certamente vai sofrer multas de muitos bilhões de euros, o que levará a prejuízos de muito bilhões de euros. A partir de um corrompido rumeno, a polícia alemã  passou os últimos dois anos vasculhando as operações da Airbus-EADS, o que vai levar ao indiciamento criminal de dezenas de altos funcionários da companhia e de funcionários de governos estrangeiros.

Esses altos executivos construíram um vasto império da corrupção para beneficiar a companha (e, obviamente, aumentar os bônus de fim de ano que recebem), em torno de uma empresa-laranja baseada em Londres, a Vector Aerospace. De nome pomposo, a firma de apenas dois funcionários e nenhuma atividade real na área aeronáutica, recebeu 114 milhões de euros da EADS só para pagar propinas, usando uma rede de bancos em paraísos fiscais como as British Virgin Islands, Singapura e Hong Kong.

Um dos primeiros casos levantados pelas polícias de Londres e Munique referiu-se a pagamentos vultosos de propinas, feitas pela Vector a funcionários austríacos, para azeitar o contrato de compra de 18 jatos Eurofighters para aquele país. Estão avançadas também investigações que indicam subornos pagos a funcionários de empresas privadas, na esfera da aviação comercial.

 

Pedro Luiz Rodrigues é jornalista, com atuação nos principais veículos de comunicação do Brasil, e diplomata.

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