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Uma nova força se levanta contra a corrupção e o reinado do mal na administração pública. Esta energia é vigorosa e já provou sua eficácia ao longo dos tempos. Vem da velha Europa, mais precisamente do Vaticano, celeiro de graças e de guerreiros vitoriosos. É a esperança, abraçada como penhor da presença e da ação do Espírito Santo no espírito humano, esta virtude teologal que vence momentos de tensão e crises pessoais. Esta força provém de Sua Santidade o papa Francisco, que tanto exalta a humildade e combate a soberba, tidas como virtude e vício que promove ou rebaixa o homem ao mais baixo patamar civilizatório.

Neste domingo,18, o sumo pontífice, como anunciou a imprensa italiana, está estudando uma medida de maior efeito para enfrentar a corrupção, seja qual for o país de origem, e submetê-la aos ditames das conclusões de uma reunião internacional realizada sob os auspícios da Santa Sé. Para debater esta praga que se disseminou sobre o mundo, 50 personalidades, entre altos prelados, magistrados, diplomatas e chefes de polícia se reuniram para o Debate Internacional sobre a Corrupção. Conforme o “La Repubblica”, estaria sendo cogitada a medida punitiva mais severa imposta a um cristão que é a excomunhão, anotando-se que, em julho de 2014 já se aplicou esta pena à “Ndrangheta”, a poderosa máfia calabresa. Casos isolados de excomunhão tem se efetivado, mas a igreja quer agora estabelecer um documento jurídico-canônico de valor e expressão universais.

Leitores, após a manchete da revista Época, em que o presidente da República é qualificado, com todas as letras, de chefe de organização criminosa, fomos todos jogados contra a parede. Está o brasileiro atônito, perplexo, revoltado, sentindo cair por terra a esperança que ainda se mantinha no presidente e, agora, situa-se como massa de manobra dos poderosos de plantão.  Sim, porque os saques consumados por tais criminosos e a frutuosa ação entre amigos que instalaram oficialmente, distribuindo mimos entre si, à custa do erário e da inocência dos brasileiros, são agressões construidamente realizadas, fazem escola para as gerações futuras, desenham os (maus) costumes, e repercutem na imagem já incicatrizável do país para o exterior. Não há mais em quem acreditar, senão em nossa intervenção imediata para a substituição de todos eles, em ordem, civilizadamente. As eleições diretas e imediatas, se não abertas pelo presidente, que deve renunciar, que para elas nos reunamos aos defensores do impedimento, reinaugurado com êxito e maior esperança há pouco mais de um ano. As eleições serão a nossa excomunhão, enquanto a outra não chega. Vamos aplicar a excomunhão cívica. Agora ganham força as ruas, porque nelas é que está a verdade. É nelas que está nossa esperança e nosso futuro. Que Temer mostre grandeza, e que seus aliados (os amigos, inclusive os encarcerados) também mostrem juízo em convencer o presidente de que o caminho imediato para as diretas é o melhor caminho para todos.

Vamos, presidente, ceda a outro sua cadeira e seu poder. Deixe a Pátria enxergar e se convencer de que a política ou o Planalto não se assemelham a uma ação entre amigos.

 

José Maria Couto Moreira é advogado.

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