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O Brasil deve imitar Portugal

Lisboa - Pelos piores motivos, as atenções da imprensa européia  voltam-se para o Brasil. Os mais importantes jornais do Continente, em suas edições online, e as emissoras de televisão e de rádio divulgam sem cessar informações sobre a crise brasileira, indicando que o governo Temer começou a se deteriorar a partir das denúncias dos donos da JBS em seu acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República. Artigos e comentários de correspondentes no Brasil não param de chegar às redações dos jornais portugueses. O tom geral é de perplexidade, critica e reprovação à classe politica brasileira. Para os europeus, é difícil entender como nossos parlamentares e governantes sucumbiram à sedução da corrupção generalizada.

Nesse momento de grave crise moral e ética enfrentado pelo Brasil seria oportuno a classe política e a elite brasileiras olharem para países como Portugal e perceber como é possível retirar um país do fundo do poço sem roubo ou corrupção. Basta uma decente vontade política. Há cerca de oito anos, Portugal sofria dificuldades que pareciam incontornáveis. Um governo de direita, do ex-primeiro ministro Passos Coelho, aplicava servilmente e sem contestar, os programas de austeridade de Bruxelas. Em consequência, o país empobrecia e o povo padecia, sem  esperança ou crença no futuro. Mas a situação começou a reverter após as eleições de 2015

A direita venceu o pleito, mas não levou pelo fato de não ter conseguido eleger maioria parlamentar. Foi o que bastou para o pragmático socialista e atual Primeiro Ministro Antonio Costa montar seu governo “ Geringonça” ,com apoio das esquerdas e comunistas. Sintonizados em torno dos interesse da nação, apesar de diferenças programáticas, esses políticos arregaçaram as mangas e foram à luta.

Ao contrário do Brasil, não estão envolvidos em práticas criminosas nem perdem tempo e energia em busca de cargos e vantagens pessoais. A “ Geringonça “tem se concentrado na recuperação econômica do país. Entre sua base de apoio, não há notícias de  corrupção ou má aplicação dos recursos públicos, que são poucos e contados .Há apenas o caso do ex-Primeiro Ministro socialista, José Sócrates, acusado de falcatruas e de lavagem de dinheiro, mas que já passou 11 meses na cadeia e continua a ser investigado

Desde o ano passado, o país começar a decolar em busca da recuperação, passando a viver melhores momentos. De quebra, está se transformando num espaço de oportunidades ,investindo em educação, tecnologia e inovação A economia esquentou e já cresceu 2,8. O deficit foi reduzido à níveis tranquilizadores e são visíveis os sinais de que o país vai no bom caminho. Pode parecer coincidência , questão de sorte ou do acaso, mas seria injusto não reconhecer que a virada começou com a reação das pessoas e  empresas privadas às  dificuldades econômicas. Tradicionalmente conformados e melancólicos, os portugueses entenderam que, para dar a volta, precisavam reinventarem-se. Foi o que fizeram.

Até então dependente do poder público, a classe empresarial retornou ao tempo das caravelas e singrou mares em busca de oportunidades. Com afinco, dedicou-se às exportações, hoje superiores às importações. Ao mesmo tempo, o governo cumpriu seu papel e vem honrando o mandato popular. Repôs salários e pensões que haviam sido cortados, reduziu impostos investiu em educação, saúde e na ampliação da infraestrutura para o turismo, uma das suas maiores fontes de renda. Criou condições para o fortalecimento da iniciativa privada e  melhoria das condições de vida da população mais pobre.  Há dias, Portugal foi considerado ,entre os países da OCDE, o que possui os melhores níveis de educação.

Enquanto isso, o governo socialista busca junto à Bruxelas obter melhores condições para o pagamento da sua dívida, o que tudo indica irá conseguir. Não houve receitas mágicas. Apenas   vontade política e trabalho, com seriedade e a dedicação de todas as parcelas da população interessadas em retirar Portugal da lista dos pobres. Portugal não é um país rico. Os recursos públicos são escassos  e controlados, mas possui qualidade de vida, é uma sociedade aberta, civilizada, onde o serviço público funciona, os transportes  são impecáveis e há saúde e educação dignas  para todos. Tudo isso, conquistado sem ajuda, estímulo ou recursos oriundos na corrupção. Valeria a pena o Brasil imitar.

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