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O remédio necessário

Após todo o traumático processo através do qual Dilma foi afastada e entronizado o vice Michel Temer, chegamos finalmente ao ponto em que o câncer começa a ser revelado e preparamo-nos para  extirpá-lo. se Deus quiser, definitivamente.

É uma característica minha, pessoal, não comemorar a derrota dos outros. Alegrei-me com o fato de que o processo de eternização no poder do grupo político representado por Dilma tenha sido interrompido. Os bilhões afanados no período, agora sob as lentes da Lei, demonstram que aquilo era uma necessidade absoluta para a continuidade da existência do Estado. Ela se foi. Seus companheiros cantam na cadeia feito rouxinóis. Foi um benefício para o país. Mas, considerando a turbulência institucional provocada, além, é claro, dos prejuízos financeiros irremediavelmente perpetrados, a solução do problema não tem sido indolor nem apreciável. É, somente, uma coisa necessária.

Diante do Armagedom  lançado ao ventilador  na tarde de ontem, dia 17/05, pelos irmãos Friboi, com impacto equivalente às imagens dos aviões derrubando as torres do WTC no 11 de setembro,  temos pela frente mais um processo de desinfecção, desratização e extirpação de um câncer que exaure as energias do nosso Brasil. Quem já passou por uma cirurgia oncológica mais quimio e radioterapia sabe qual é a sensação. Alívio por estar tratando uma doença letal, medo porque a medicação mata quase tanto quanto a doença, desconforto imenso, dores extremas e exaustão completa. O tratamento é acompanhado por um enorme conjunto de sacrifícios que o paciente precisa encarar para se recuperar e continuar a vida, se for possível. 

O Brasil precisa do que está ocorrendo. Não é bom. Não é agradável. Não é divertido e nem deveria suscitar celebrações. Trata-se de uma tragédia nacional, assim como foi o impeachment. Uma revolução no poder nunca é indolor.  Aécio já foi afastado do Senado. Michel Temer está na berlinda, entre a renúncia, o impeachment, a absoluta ingovernabilidade e descrédito eterno.  A escolha de algum substituto para a presidência leva todo o jeito de propiciar-nos uma experiência ainda mais funesta do que foi a consciência de que seria Temer o interino substituto de Dilma. Aqueles que compõem alternativa no momento estão sob investigação, inelegíveis ou presos.  

Se tudo der certo, estamos todos ferrados.

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