DEUSES DA FALSA MORALIDADE

No último final de semana, a atriz Fernanda Torres concedeu entrevista para a uma emissora de rádio e disse que o povo brasileiro vive “um estado de estupefação”. Nada, absolutamente nada acontece exceto uma carga interminável de denúncias, mentiras e delações de ladroagem. Quem roubou mais ou menos poderosas instituições e quem levou à falência econômica e moral importantes estados da federação. A cultura não funciona, educação não existe, saúde é um desarranjo. Equilibrar as contas, ajustar a economia para o País andar, esbarra numa resistência transloucada da demagoga oposição e dos privilegiados 17 mil sindicatos que temem perder a fortuna que banca luxos, mordomias e gestão vitalícia com a extorsiva contribuição sindical paga pelo trabalhador. Na segurança, basta rever as estatísticas da violência nos estados e o terror plantado nos presídios de norte a sul. Como se não bastasse, a guerra brutal entre índios e fazendeiros vai fazendo vítimas mutiladas às vistas de uma Funai acovardada, parecendo coisa do século dezenove. Realmente, a sociedade brasileira está sobressaltada, sem rumo qual um barco à deriva em águas revoltas. A cada nova onda que sobe, com ela vem um impacto pavoroso. Tem razão a filha do ídolo da dramatologia brasileira Fernando Torres: “O golpe começou em 2014, quando os descamisados e beneficiários do Bolsa Família acreditaram nas galhofas da disfarçada Dilma, então candidata à reeleição”. Logo após a sua posse, a energia subiu estratosfericamente, a maquiagem dos números da economia veio à tona, o desemprego batia os treze milhões de infelizes! O País caminhava para o mais profundo dos atoleiros enquanto o governo escondia e negava a verdadeira situação do conjunto da obra. Afinal, o partido e o seu criador tinham um projeto de perpetuação no poder. Se por meios indecentes, pouco importava. A estupefação da Fernanda e a minha, talvez a sua também, tem tudo a ver! Há uma banalização generalizada de poderes, dos que arrogantemente se dizem “supremos”, deuses de uma falsa moralidade. Se apertar o cerco é bem possível descobrir facilmente sujeira na toga, tanto quanto nos ratos cujas gaiolas estão sendo abertas para a liberdade. Milhares de presos comuns continuam trancafiados nos pútridos presídios brasileiros morrendo de cranco, sífilis, estupros e violência de todo tipo. Estima-se que quarenta por cento dos encarcerados no Brasil são provisórios, mofam nas prisões sem condenação nem julgamento pela morosidade da justiça. Portanto, Zé Dirceu e outras “estrelas” da corrupção são raríssimas exceções no mundo do crime, vistos pelos lindos olhos de alguns “deuses”.

Aloísio Alves é oublicitário e membro da Apalca.

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