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UM DIAGNÓSTICO SEM FUTURO

A Folha de São Paulo do último 7 de abril traz uma matéria com o título: “Novo teste genético consegue prever o surgimento de doenças da retina”. O exame será oferecido em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. Os exames que custam em torno de 4 mil reais serão patrocinados pela empresa americana Spark Therapeutics. Embora para algumas patologias nada possa ser feito, mesmo com um diagnóstico para o futuro. 

O descolamento de retina é uma situação que a maioria das pessoas não imagina os inconvenientes, além da possibilidade de cegueira ou baixa visão. Muitos nem sabem se isto pode acontecer. Em relação à cegueira, fala-se menos de retina e bem mais de catarata ou glaucoma. Razão pela qual cada um pensa que o problema nunca vai acontecer consigo. O primeiro sintoma de um descolamento de retina é um ponto preto a andar de um lado para outro do olho. À proporção que esse ponto aumenta o descolamento é fato consumado. Daí em diante, vem o problema: nem todo oftalmologista é especialista em retina, o que deveria ser pela gravidade do fato. O tempo em relação a consulta ao especialista é fundamental. Este tentará mesmo usando os meios mais modernos, colar a retina através de fotocoagulação, ou seja, com a aplicação de laser para cauterizar a retina descolada. O processo é uma agonia, se não há dor física, propriamente dita, é o mais crucial momento quando o laser é aplicado no olho aberto, sente-se uma verdadeira explosão no cérebro. A cirurgia não é diferente, exceto pela anestesia. Quando necessário é aplicado o óleo de silicone para manter a retina no lugar. Então vem o pós-operatório que é ainda mais doloroso, por forçar o paciente a dormir numa única posição e andar em câmera lenta. Se mal sucedido o remendo cirúrgico, o paciente sem a visão de um olho perder a noção de espaço e distância e não é raro, quebrar ou derrubar copos a mesa. Pior, perder a noção da distância dos degraus de uma escada.

Dessa forma, o novo teste genético, apesar de parecer uma panaceia para a ciência, não resolve os descolamentos espontâneos, nem os pós-operatórios. A realidade é que há indivíduos com mais possibilidade de ter um descolamento de retina do que outros, sobretudo, aqueles com patologias como: a miopia, hipertensão arterial e glaucoma. Para um leigo como eu descobrir estas coisas, foi preciso sofrer na pele o problema para acompanhar as publicações científicas, no afã de poder reverter a cegueira. Por isso, tenho convicção que nada substitui a experiência humana.

 

Benedito Ramos é escritor.

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