SOU ‘SEXALESCENTE’

Quantos fazem como a escritora e poetisa Martha Medeiros (1961) que, aniversariando em agosto, quando alguém, em julho, pergunta a sua idade, já responde com a idade nova? Mas, se lhe pesam às costas os anos, pode fazer como Galileu Galilei (1564-1642) que, apesar de suas brancas barbas, dizem que dizia ter entre oito ou dez anos. “Tenho na verdade os anos que me restam de vida, porque os já vividos são como as moedas que tive e não as tenho mais.”

Com a “etariedade” das pessoas, a cada dia, sendo colocada em questão por causa da reforma da Previdência Social, é de bom alvitre lembrar que essa discussão se passa exatamente porque a nossa população vem alcançando bons níveis de longevidade. Certamente, num futuro não muito distante, teremos, a exemplo de países do primeiro mundo, mais velhos que jovens; mudança essa causada pelo encolhimento das taxas de natalidade, os avanços da medicina, da indústria farmacêutica, das pesquisas sobre genética, e principalmente pelos novos hábitos alimentares, exercícios físicos e mentais, e outros bons costumes adquiridos pelo homem moderno. 

Em artigo intitulado “Está surgindo uma nova faixa social”, a antropóloga Miriam Goldenberg (1952) diz que se dermos atenção notaremos o surgimento dessa nova faixa social; a das pessoas em torno dos sessenta/setenta anos de idade. Chama de “sexalescente” a geração que rejeita ser tratada como sexagenária, por não estar em seus planos entregar-se à velhice. Compara com o advento da “adolescência” que se deu em meados do século passado, “dando identidade a uma massa de jovens oprimida em corpos desenvolvidos que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se”. Os “sexalescentes” são homens e mulheres independentes que, achando a atividade profissional preferida, realizaram-se. “Alguns nem sonham em aposentar-se.” Porém aqueles que o fizeram vivem seu dia a dia sem temor do ócio ou solidão. Exalta que “a mulher ‘sexalescente’ sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60”. Miriam enfatiza que esse grupo de pessoas, na faixa dos sessenta/setenta anos, está estreando uma idade que não tem nome, pois já não são os velhos que seriam antes. Estão com boa saúde física e mental. Essa turma se beneficia das tecnologias, usando seus tabletes, notebooks e smarts em toda sua abrangência para conviver nas redes sociais e a cada dia ficar mais antenado com o mundo atual. 

Sentindo-me incluído nesse clube aos 73 anos – arredondando como Martha Medeiros – pois só os completarei em março, ouso imitar Galileu Galilei se perguntam quantos tenho. Quem sabe uns oito ou dez anos?

 

José Maurício Brêda é economista.

Publicidade
TWITTER
@colunach

 
Busca
Redes sociais
@diariodopoder
© 1998 - 2017 - Todos os direitos reservados