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OS DESÍGNIOS DO DESTINO

Impossível deixar de fazer cálculos a respeito do novo quadro sucessório, mesmo antes de o corpo de Eduardo Campos baixar à sepultura. Os prazos são fatais e faltam agora oito dias para o PSB registrar um novo candidato.


Tudo indica que será Marina Silva, candidata a vice, ainda que entre alguns dirigentes do partido registre-se uma certa má vontade diante dela. O problema é que qualquer outra opção retirará dos socialistas a hipótese de concorrer de verdade à presidência da República. A ironia na história é que Marina poderá conquistar mais votos do que teria Eduardo Campos, dado seu posicionamento ideológico e sua performance nas eleições de 2010. Quanto a saber se haverá segundo turno e se o adversário da presidente Dilma será Aécio Neves ou Marina Silva, melhor aguardar as próximas pesquisas.


Os deuses da aviação continuam fazendo das suas, no trabalho de perturbar o quadro político-eleitoral. Nos tempos modernos, suas artimanhas começaram com Salgado Filho, em 1950, nome certo para eleger-se governador do Rio Grande do Sul. Depois, de uma vez só, sacrificaram Nereu Ramos, senador e ex-presidente da República, junto com o governador Jorge Lacerda, de Santa Catarina, e o deputado Leoberto Leal. A sombra abateu-se em Minas, levando o deputado Lúcio Bittencourt, candidato ao palácio da Liberdade, e de novo no Rio Grande do Sul, atingindo o deputado Rui Ramos, candidato a governador, Rui Ramos. O marechal Castello Branco teria tido grande influência nacional, depois que deixou o palácio do Planalto, mas foi o próximo, seguido pelo senador Filinto Muller. Cleriston Andrade estava eleito governador da Bahia, Marcos Freire ganharia em Pernambuco. Ulysses Guimarães perdeu-se no oceano, José Carlos Martinez disputaria com vantagem o governo do Paraná.


As referências de hoje não envolvem todos os políticos mortos em desastres aéreos, apenas aqueles que se destacavam na constelação político-partidária. Muitos outros perderam a vida no ar.


Agora, Eduardo Campos. Claro que a nenhum candidato será permitido fazer campanha exclusiva em terra, já que os desaparecidos em desastres de automóvel tem sido até mais numerosos. Mesmo assim, de quando em quando, há que insurgir-nos contra os desígnios do destino.


ILHA DA FANTASIA OU ILHA DOS HORRORES?


Brasília já foi chamada, aliás injustamente, de Ilha da Fantasia. Hoje está mais para Ilha dos Horrores, José Roberto Arruda perdeu o mandato de senador e, depois, de governador, acusado de corrupção e até preso por um mês na Polícia Federal. Pois lidera as pesquisas eleitorais, com razoável vantagem sobre os adversários. O Tribunal Regional Eleitoral acaba de cassar seu registro de candidato. Como tem direito a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, pode continuar fazendo campanha e até disputar a eleição, se até lá seu recurso não tiver sido julgado. A dúvida a saber é se, caso eleito, poderá tomar posse. Tendo rotulado a Lei da Ficha Suja como apenas “uma leizinha”, arrisca-se a deixar a capital federal sem salvação.

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