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SEM CONFRONTO NAS CAMADAS TECTÔNICAS
Acontecerá o quê, caso se multipliquem os sinais por enquanto insuficientes de que haverá segundo turno e, nele, Aécio Neves baterá Dilma Rousseff? Primeiro, um afastamento maior entre e a atual presidente e seu antecessor, com o Lula acusando Dilma de incapacidade e Dilma acusando o Lula de falta  de empenho na eleição. Depois, se não uma renovação, ao menos um apagão  no PT, com o retorno a práticas oposicionistas que talvez não convençam, mas servirão para virar de  cabeça para baixo o quadro partidário. Claro que também,  de imediato,  a adesão do PMDB ao governo tucano, com a clássica distribuição de cargos e  ministérios ao partido  que há anos  gravita em torno do  poder. Uma imediata substituição de companheiros por tucanos nos controles da administração e uma adesão em massa dos governadores, mesmo os  poucos do PT ao palácio do Planalto,será conseqüência inevitável.

Mas em termos de Brasil, que mudanças advirão? Na política econômica, poucas, porque os governos Lula e Dilma em nada  alteraram as diretrizes de Fernando Henrique. Outros personagens assumirão os controles,  mas dentro das linhas de sempre, de integração com as regras internacionais vigentes, mesmo exaltando os Brics mas  seguindo a orientação de Washington e de Berlim. A surpresa será no plano social, porque tudo continuará como está, ou seja, o bolsa-família funcionando e os demais programas  desenvolvendo-se no ritmo de sempre,  mais na propaganda do que na prática. Ainda assim, com o empresariado nacional e  estrangeiro satisfeitos e imaginando ampliar seus limites de influência nas decisões do  governo, mera ilusão por conta da impossibilidade de mudar   o que já encontra estabelecido.

Alterações, mesmo, poderão acontecer no uso da máquina administrativa, caso os tucanos consigam evitar a compulsão que os  companheiros tiveram e ainda tem de  aproveitar-se de  todas as oportunidades para ampliar o seu poder. Será preciso muita determinação do suposto novo presidente para conter a nova boiada ávida de ocupar o pasto. Para isso, Aécio contaria com um capataz competente, o então novo  vice-presidente Aloísio Nunes Ferreira, em condições de evitar os excessos  sempre previsíveis nessas ocasiões de assalto ao poder. Disporia, também, de material humano mais sólido do que aquele aproveitado por  Lula e Dilma, mas o detalhe dependerá das  circunstâncias.

Em suma, a troca de comando, se acontecer em outubro, revelará um jogo de forças muito parecido com o atual, em termos de continuidade econômica, política e social.   Não  haverá que esperar revoluções,  convulsões  nem conflitos  nas camadas tectônicas.  Só acomodações, muito parecidas com as que aconteciam na República Velha, ou seja, os detentores do poder real continuarão os mesmos.

Por uma dessas ironias da vida, mudanças bem mais profundas poderão verificar-se caso  Dilma saia vitoriosa, no primeiro ou no segundo turno. A ela caberá livrar-se dos métodos com que governo nos últimos quatro anos, de submissão aos postulados e conselhos do Lula. Um governo dela mesma não deixará de povoar seus sonhos e suas intenções. Por que, não precisando  mais enfrentar eleições, continuar subordinada à chantagem dos partidos da base de seu governo? Como não imaginar um ministério composto pelos melhores em cada setor, sem influências partidárias, capaz de implementar projetos de que o país necessita?  Sem afastar o PT, nem o Lula, será possível isolar a demasiada  influência do Congresso em questões de governo.  O isolamento  da máxima do “toma lá, dá cᔠ exigiria coragem e determinação, mas até que enriqueceria o segundo mandato.
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